|
Paixão, suor e
graxa!
Automobilismo Pioneiro,
por Paulo
Roberto Peralta
"E-mail?
Clique aqui"

”Bandeira Quadriculada”
se propõe a fazer um tributo à todos pilotos dos anos 60, e um
pouco antes, que corriam por "amor à arte", abnegados amadores que
mesmo sacrificando muitas vezes a família, orçamento, amizades, etc.
disputavam memoráveis provas, aqui representados por alguns poucos
que mesmo não tendo a projeção de um Chico Landi,
Camilo Christófaro ou um
Catharino ou Júlio Andreatta, eram muito
bons e disputavam largada a largada, curva a curva, freada a freada, a
vitória nas provas em que participavam. Ganhavam, perdiam, não
importa, participavam.
Alguns dizem: "tempos românticos", eu diria que eram tempos de um
idealismo visceral.
Aqui, os fãs do Senna vão saber que já havia automobilismo, e
muito bom, antes mesmo dele nascer ou começar a correr. Se não tivessem existido
estes, não teria havido condições de surgirem pilotos como Fittipaldi,
Piquet e o próprio Senna (só para citar os três mais famosos) além de muitos
outros grandes nomes. A grande dedicação e
24 Horas de Interlagos/60
perseverança desses pilotos é que criou condições para o automobilismo
evoluir.
No
Brasil e na América do Sul as corridas automobilísticas,
"oficialmente", tiveram início dia 26 de julho de 1908 com a realização da prova
“Circuito de Itapecerica” promovida pelo recém fundado “Automóvel
Clube de São Paulo”.
Iniciando
no Parque Antártica em São Paulo, indo até o centro de Itapecerica da
Serra, retornando e terminando no Parque Antártica perfazendo um
total de
75 Km. Sylvio Álvares Penteado venceu a prova com um Fiat 40 hp.
Nas décadas de 30 e 40, com a realização
dos “GP Cidade do
Rio de Janeiro” no Circuito da Gávea, ou popularmente chamado de “Trampolim
do Diabo”, e depois com a inauguração em 12 de março de 1940
do
Autódromo de Interlagos, o primeiro autódromo do Brasil, vieram para
cá diversas equipes e pilotos internacionais.
Em 1951 realizou-se pela primeira vez na América Latina uma prova
de
longa duração: as “24 Horas de Interlagos Mercedes-Benz”, só
com
carros dessa marca (mod. 170D), à gasolina
ou à diesel,
vencida por Godofredo/Buonacorsa na categoria gasolina e por
Chico Marques na categoria diesel. A partir daí teve inicio uma fase
chamada de
“romântica” no
automobilismo brasileiro,
eu diria que
era uma fase de um idealismo fanático,
era muita “paixão, suor e graxa”. Uma época onde imperava o amadorismo, os pilotos
arcavam com suas
próprias despesas, então, no Brasil da época, corria quem tinha muito dinheiro ou quem tinha
muita paixão,
Av.
Paulista (São Paulo) em 1924
corria-se basicamente em quatro categorias:
Turismo, Carreteras,
Passando pelo Parque Trianon
Monopostos (Mecânica Nacional
e Mecânica
Continental) e às vezes, com carros esporte, com motores
originais ou não, quase sempre juntos com os monopostos, mas
com classificação geral e por categorias. Os carros de turismo
nacionais só passam a ser usados a partir
de 1959, e é nesse ano também que faz sua estréia, nas Mil Milhas, a
primeira equipe de competição representando uma fábrica, a Vemag, mas correndo
como uma equipe de testes, ainda não uma
equipe de competição "oficial de fábrica", a partir de 61 adotou oficialmente o nome
Equipe Vemag. Por essa época surgiram também outras equipes de
fábrica, FNM
(60),
Simca (61),
Willys (62) e uma nova geração de excelentes pilotos que se
destacavam pela ousadia: com carros de 1.000, 2.000cc. desafiavam e às
vezes até venciam as poderosas carreteras de 3.000, 4.000, 4.500cc.
As
Carreteras eram cupês americanos e alguns poucos europeus
dos anos 30 a 50, com carroceria modificada, equipados com fortíssimos
motores americanos: Corvette,
Thunderbird, Cadillac,
Studebaker, Ford e outros. Supervelozes
nas retas mas terríveis nas curvas, seu ponto fraco eram as suspensões.
Evolução
de uma carretera
   
José Gimenez/Landi/57
Camillo Cristófaro/Barberis/60
Catharino/Vitório/65
Hoje: Restaurada no Museu
Carretera Chevrolet Coupe 1939/Corvette 4.500cc.
Construída em 1957
por Victor Losacco para José Gimenez Lopes com as seguintes
especificações:
chassi montado de cabeça para
baixo objetivando rebaixar o centro de gravidade, foi instalada uma
suspensão dianteira com rodas independentes, um possante motor Corvette
preparado que contava com a alimentação de dois carburadores Weber
quádruplos, motor este, instalado bem recuado, mais para o centro do
carro, com o objetivo de melhorar a distribuição de peso entre-eixos.
Gimenez disputou com ela as Mil Milhas de 57 e 58 em dupla com Chico
Landi, e a de 59 com Camillo Christófaro, depois em 60 a vendeu para
Camillo que disputou, entre outras provas, as Mil Milhas de 60 e 61 em
dupla com Celso Lara Barberis. Depois Camillo a vendeu ao Catharino
Andreatta que disputou diversas provas, inclusive sua última Mil
Milhas (65) em dupla com o filho Vitório, onde um problema mecânico os
tirou da prova, depois foi vendida para José Cury, do Paraná e
depois foi vendida para colecionadores e hoje está
restaurada no Museu do Automobilismo Brasileiro em Passo Fundo (RS).
Descrição da carretera fornecida pelos irmãos
Felipe e Vinicius Losacco.
Obrigado à eles.
Clique aqui ou nas fotos e conheça mais detalhes desta carretera.
Os
Mecânica Nacional (ou Continental após a disputa do Torneio
Triangular Sul-Americano em 1958) eram antigos
monopostos europeus, principalmente
Maserati, Ferrari,
Talbot e Alfa
Romeo, comprados de pilotos ou equipes que vinham ao Brasil
disputar provas e devido ao alto preço do transporte marítimo,
vendiam. Também eram equipados com possantes motores americanos, pois
era praticamente impossível conseguir motores ou peças originais. Fico
só pensando no sufoco que o pessoal passava para importar uma peça de
Corvette dos EUA, imagine então importar
uma peça da Europa, e de uma fábrica de carros de corrida (o custo e o
prazo).
Eram carros híbridos, todos com motor dianteiro e feitos em oficinas
não especializadas, não havia especialização, usava-se muito
improviso: chassi de um carro, motor de outro, cambio e transmissão de
outro ainda, e mesmo assim, geralmente, ganhavam as corridas mais
importantes.
Mas considerando as dificuldades da época, os
caras eram verdadeiros heróis. Manter carros de fórmula ou
de turismo dos anos 30 correndo no Brasil, na década de 60, com a
tecnologia e as dificuldades da época, e não
havendo profissionalismo, tudo era bancado pelo próprio piloto
(compra, preparo e manutenção do carro), patrocinadores eram poucos e
geralmente na base do "eu te dou um produto meu (bateria, amortecedor,
pneu, etc) e te pago a inscrição, a gasolina, ou o transporte", pessoal de box em
geral eram amigos, havia, é claro, os que tinham oficina mecânica e aí
levavam seus profissionais, era um verdadeiro ato de heroísmo, era muita
“paixão,
suor e graxa”.
|