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Página acrescentada em 1 de outubro de 2014.
 

Nascimento Junior

Nascimento: 18/05/1902  -  Falecimento: 16/07/1945

Nascimento Junior (1936)

Nasceu em São Paulo como Arthur Alberto do Nascimento Junior em 18 de maio de 1902, filho do industrial Arthur Alberto do Nascimento e de Dna. Idalina Pereira do Nascimento. Seu pai tinha uma indústria metalúrgica: Nascimento & Filhos Ltda., ele e três irmãos: Acurcio, Domingos e Alberto, que entre outras coisas fabricava cofres, na qual começou a trabalhar.

Anuncio em 1928

Antes de se iniciar no esporte a motor Nascimento Junior foi remador no Club de Regatas Tiete, clube ao qual continuou filiado, participando inclusive em 37 de sua diretoria, e em 38 foi homenageado pelo clube com uma “feijoada monstro” em homenagem às suas vitórias no automobilismo.

Sua primeira prova automobilística foi em 9 de maio de 1926, aos 24 anos de idade, “II Subida de Rampa - Taça Almeida Filho”, disputada na hoje movimentada Av. Brig. Luis Antonio na cidade de São Paulo com um carro Buick, quando chegou em 25º na geral e em 10º na categoria. Depois de três meses, em 3 de agosto, participou de sua primeira corrida em uma prova de estrada, São Paulo-Tatuhy (160 Km), correu com um carro da marca Marmon mas abandonou por problemas mecânicos, nessa prova houve um acidente com Ernesto Gattai (pai da escritora Zelia Gattai) em que seu acompanhante faleceu. Houve uma segunda prova: “Centenário de Tatuhy” (hoje Tatui - SP) no dia 11, data do centenário, mas não há noticias de sua participação pois no dia 15 participou nas ruas de São Paulo do “Circuito da Cidade de São Paulo”, constituído de três provas, duas de habilidade e uma de velocidade, a “Taça Rei do Volante” na qual alcançou a vitória num carro Marmon, sagrando-se o "Rei do volante", essa prova era preparatória para o “Quilômetro Lançado” que foi realizado na Av. Paulista no dia 12 de setembro, na qual participou em duas categorias: Sport e Turismo até 6 litros, ambas com carro Marmon, ficou em 16º na geral da Sport, mas venceu na categoria; na T-6000 foi 30º na geral e 2º na categoria.

Em 1927, após comprar uma Bugatti T35 participou de três provas de velocidade, vencendo uma delas, e também uma prova de habilidade, tipo Gincana.

Prova Washington Luis
Folha da Manhã - 1928

Iniciou 1928 competindo numa prova de marcha a ré em 2 de janeiro e foi o vencedor com a Bugatti, depois só voltou a competir em setembro na “II Prova Washington Luis” promovida pela Associação Paulista de Boas Estradas e que tinha o percurso São Paulo-Rio de Janeiro-Petrópolis-Rio de Janeiro-São Paulo totalizando aproximadamente 1200 quilômetros, a prova foi dividida em etapas e Nascimento Junior, com carro Graham Paige 619, disputando com pilotos como Robert Thiry (vencedor da primeira prova), Antonio Lage, entre outros, chegou em 8º na geral e em 1º na categoria Amadores acima de 25 HP. Foi sua ultima prova, passou a se dedicar à empresa e à família, era casado com Dna. Haydee Nascimento, com quem teve três filhos.

Nunca manteve uma carreira automobilística, era o que hoje se chama “gentleman driver”, muito simpático era bem recebido entre os pilotos, com quem mantinha uma relação de amizade e cooperação, dentro e fora das pistas.

Seu afastamento das pistas durou até 1936 quando já possuidor de um Ford V8 Adaptado de Corrida participou da primeira corrida promovida pelo então recém fundado ACESP (Automóvel Clube do Estado de São Paulo) realizada em Poços de Caldas, no vizinho estado de Minas Gerais, o “Grande Premio Thermal de Poços de Caldas” em 31 de março e da qual foi o vencedor (vejam matéria). Já na “Rampa do Ascurra” realizado no Cosme Velho (RJ) em abril, tipo subida de montanha, chegou em 6º lugar na geral e também na categoria Força Livre, com seu Ford V8 Adaptado de Corrida, ainda no Rio de Janeiro participou em 7 de junho pela primeira vez no Trampolim do Diabo do “IV Grande Premio Cidade do Rio de Janeiro”, ou como ficou popularmente conhecido “IV Circuito da Gávea”, onde os brasileiros tinham carros mecanicamente inferiores aos modelos “Grand Prix” dos estrangeiros, acabou abandonando por falha mecânica. No mesmo ano, na primeira prova internacional realizada em São Paulo, em julho, o “Grande Premio Cidade de São Paulo, ou simplesmente “Circuito do Jardim América” (veja matéria). Nessa prova, no sorteio para os números e posição de largada o nº 32 ficou com Nascimento Júnior, mas (segundo os jornais da época) em homenagem ao corredor petropolitano, Irineu Correa, que usava esse número quando faleceu num acidente na prova de 1935 no Circuito da Gávea, foi substituído pelo nº 42, sem alterar, no entanto sua posição de largada, parece que a decisão teve fundo mais supersticioso do que de “homenagem”, uma vez que o carro de Nascimento Júnior era um Ford Adaptado semelhante ao de Irineu. Essa corrida teve um grave acidente em sua ultima volta, e dos seis carros que conseguiram concluir antes da pista ser invadida pelo publico ele foi o 6º ainda com seu Ford V8 Adaptado de Corrida.

"Nicolau Tuma, "speaker" da Radio Diffusora, em plena pista, antes da partida, cede o microphone a Nascimento Junior"
Reprodução Tribuna de Santos - 1936

Nascimento Junior com seu Ford V8 Adaptado de corrida passando pela Tribuna de Honra do "Circuito do Jardim América"- 1936
Acervo Pedro Bittencourt (Oficina Artesanal)

Outro aspecto do Ford V8 Adaptado de corrida de Nascimento Junior no "Circuito do Jardim América" - 1936
Acervo Pedro Bittencourt (Oficina Artesanal)


Em fevereiro de 1937 foi correr em Porto Alegre (RS) no “Grande Premio Folha da Tarde”, onde foi o vencedor depois de uma acirrada disputa com o ídolo local,
Norberto Jung, que teve problemas com o tanque de combustível.

Dois aspectos do "Circuito do Cristal" (RS), liderando e recebendo a Bandeira Quadriculada da vitória - 1937
Fonte: Livro "Circuitos de Rua" (Paulo Scali)

Noticia publicada no "A Batalha" - 1937


Ainda em 37 Nascimento comprou uma Alfa Romeo Tipo B da Scuderia Ferrari e o estreou em junho no “V Grande Premio Cidade do Rio de Janeiro” chegando em 7º lugar, logo atrás de
Benedicto Lopes, o melhor brasileiro na prova. Ainda em 37 fez duas provas na Argentina, junto com Chico Landi, as “500 Milhas de Rafaela” em 12 de setembro, onde Nascimento abandonou na 9ª volta e Chico na 16ª, sendo a prova vencida pelo polonês radicado na Argentina, Carlos Zatuszek, também correram o “Circuito de San Isidro” em Buenos Aires, no dia 3 de outubro, a prova foi vencida pelo argentino Carlos Arzani, Chico Landi desistiu e Nascimento chegou em terceiro lugar.

1938 - Gávea Nacional

“Circuito de San Isidro” em Buenos Aires
1937

Em 1938 participou de duas provas na Gávea, o “I Circuito da Gávea Nacional” em 29 de maio, apenas para corredores brasileiros ou aqui residentes, venceu tendo Chico Landi em 2º lugar, a outra foi o “VI Circuito da Gávea Internacional”, em 12 de junho, onde chegou em 4º lugar, mas foi o primeiro entre os brasileiros. Outra vitória sua foi em 9 de outubro na “Prova Comercio e Indústria” realizada nas ruas do Bairro do Pacaembu na cidade de São Paulo (SP), sua ultima participação com a Alfa Romeo Tipo B que foi vendida para o carioca Geraldo Avelar.

Alfa Romeo 8C35 na Gávea 1939

Para correr o “II Circuito da Gávea Nacional” em 29 de outubro de 1939 comprou uma Alfa Romeo 8C35 do argentino Carlos Arzani, não conseguiu terminar mas fez a volta mais rápida da prova (7’48” 2/10). Foi sua única participação naquele ano, além das tentativas de se inaugurar o Autódromo de Interlagos em 19 e 26 de novembro, mas ficou só nos treinos, quando cedeu uma outra Alfa sua para Manuel de Teffé treinar.

Nas vésperas da, finalmente, corrida de inauguração de Interlagos em maio de 1940 ele ofereceu, no dia 3, um almoço no Restaurante Spadoni na av. Ipiranga aos jornalistas cariocas que para cá vieram a fim de cobrir as festividades de inauguração do Estádio do Pacaembu e do Autódromo de Interlagos. No sábado dia 5 aconteceu um incêndio em sua garagem onde se encontrava a Alfa Romeo com que participaria da corrida, mas apesar de ter perdido seu carro de passeio e mais dois caminhões, sua Alfa ficou intacta.

Nos treinos para inauguração de Interlagos - 1940
Fonte: Livro "Interlagos - 1940 a 1980" (Paulo Scali)

Bandeirada de vitória na inauguração de Interlagos
Fonte: Gazeta Esportiva

A prova aconteceu em 12 de junho de 1940, ele fez a pole, venceu, liderou de ponta a ponta e ainda fez a melhor volta (4’ 09” 1/5). Nascimento Junior, vencedor da prova e aniversariante do dia 18 seguinte, ofereceu no dia 16 outro almoço aos jornalistas, agora todos que cobriram a corrida, novamente no Restaurante Spadoni.

Anúncios em 1940

Após essa prova ele parou e vendeu a Alfa para o piloto carioca Oldemar Ramos recebendo uma Alfa Romeo 8C Monza como parte do pagamento, ficando então com 4 carros de corrida: 2 Ford V8 Adaptados de Corrida e 2 Alfa Romeo 8C Monza. Ele parou mas não se afastou do automobilismo, a bandeirada de largada do “III Circuito da Gávea Nacional” em 1940 foi dada por ele a convite do Automóvel Clube do Brasil.

Em 1941 foi assistir o “VIII Circuito da Gávea” e levou a Alfa Romeo 8C Monza para ser cedida para Rubem Abrunhosa correr, mas ele não a usou, então ela foi vendida para o paulista Armando Sartorelli, que a usou, mas abandonou por quebra.

De 1942 a 1945 a crise gerada pela Segunda Guerra Mundial levou o governo a proibir a circulação de todos os veículos movidos a gasolina, principalmente as corridas de carro, então a saída foi usar o gasogênio como combustível, inclusive nas corridas. Gasogênio é o nome do combustível obtido pela queima de carvão, ou lenha, e era chamado de “gás pobre” gerado num “trambolho” de quase 100 Kg preso na traseira dos automóveis. Por essa época a firma Nascimento & Filhos Ltda. passou a produzir aparelhos de gasogênio para uso automobilístico com a marca “Nascimento Jr.”. Em 1943 foram organizadas as primeiras corridas de carros de turismo equipados com gasogênio e ele resolveu voltar a correr usando um carro Chevrolet com o gasogênio que levava seu nome.

Sua primeira prova foi no “Circuito da Quinta da Boa Vista” (RJ), em 18 de abril, onde obteve o 2º lugar. Em seguida, em 18 de julho, na “V Subida da Montanha”, realizada na Estrada Rio-Petrópolis (RJ), obteve novamente o 2º lugar. Em 29 de agosto na prova “Prêmio Interventor Amaral Peixoto”, inaugurando a estrada entre Niterói e Campos (RJ), Nascimento Jr. tirou o 3º lugar. Em 24 de outubro no autódromo de Interlagos, na “Prova Interventor Fernando Costa”, Nascimento Junior chegou em 7º lugar, mas o gasogênio fabricado por sua empresa chegou em 1º e 2º. Em 12 de dezembro na prova “Circuito da Amendoeira” no bairro do Flamengo Nascimento Jr. foi o vencedor, encerrando sua carreira de piloto, que coincidentemente começou e terminou com vitória.


No campeonato de 43 Vasco Sameiro, piloto português, então residente no Brasil, foi campeão com um Buick equipado com gasogênio “Nascimento Jr”, seguido de Nascimento Jr. em 2º lugar com um carro Chevrolet. O campeonato de marcas de gasogênio foi vencido pela marca “Nascimento Jr.”.
Em 16 de julho de 1945 Nascimento Júnior veio a falecer aos 43 anos de idade, novo ainda, mesmo pelos padrões da época. Na ocasião, o A.C.B. enviou um telegrama de pêsames à família, e o piloto foi enterrado, com grande presença da família automobilística, no Cemitério da Consolação, na cidade de São Paulo.



Colaboração de Antonio Carlos B. de Lima e Napoleão Ribeiro
 

 

 

  
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