Uma visão dos nossos históricos anos sessenta e um pouco antes

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Pilotos:
Agnaldo de Goes Aldo Costa Alfredo Santilli Amauri Mesquita Antonio C. Aguiar Arlindo Aguiar Aroldo Louzada Bica Votnamis
Bird Clemente Bob Sharp Breno Fornari Caetano Damian Camillo Christofaro Carlos Sgarbi Catharino Andreatta Celso L. Barberis
Christian Bino Heins Ciro Cayres Domingos Papaleo Eduardo Celidonio Emerson Fittipaldi Emilio Zambelo Ênio Garcia Eugênio Martins
Francisco Lameirão Fritz D'Orey Graziela Fernandes Haroldo Vaz Lobo Henrique Casini Jan Balder Jaime Pistili Jayme Silva
José Tôco Martins Júlio Andreatta Luiz A. Margarido Luiz Carlos Valente Luiz Pereira Bueno Luiz Valente Marinho Nicola Papaleo
Nilo de Barros Vinhaes Norman Casari Orlando Menegaz Nastromagario Pedro C. Pereira Piero Gancia Raphael Gargiulo Ricardo Rodrigues de Moraes
Roberto Gallucci Roberto Gomez Salvador Cianciaruso Toninho Martins Victorio Azzalin Vitório Andreatta Waldemar Santilli Zoroastro Avon
Preparadores e/ou construtores:
Anísio Campos Jorge Lettry Miguel Crispim Nelson Brizzi Toni Bianco Victor Losacco    
Pioneiros:
Ângelo Juliano Benedicto Lopes Chico Landi Chico Marques Gino Bianco Hermano da Silva Ramos Irineu Correa João R. Parkinson
Manuel de Teffé Nascimento Junior Norberto Jung Sylvio A. Penteado Villafranca      

 

Página acrescentada em 17 de junho de 2009  -  Atualizada em fevereiro de 2021

Victorio Azzalin
(Victorio Azzalin Filho)
por Paulo Roberto Peralta
 

2009

Paulistano, filho de italianos, nasceu em 20 de agosto de 1941 no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo, onde passou a infância, a adolescência, estudou e cresceu. Seu pai tinha uma indústria de móveis e colchões a Av. Celso Garcia e logo ele foi trabalhar com o pai e o irmão.
O seu irmão mais velho, Rubens Azzalin, corria de automóveis e Victorio foi tomando o gosto pelas competições.
Durante o governo de Jango Goulart a fábrica “quebrou”, aí Victorio abriu, usando as instalações da fábrica, uma loja de automóveis. Como o espaço era bastante grande, alugou os fundos da loja para funileiro, pintor e mecânico.

1962 - Primeira corrida, a Alfa e Vitalba

Em 1961 comprou uma Alfa Romeo Giulietta do amigo Julinho que jogava futebol na Fiorentina da Itália, depois jogou no Palmeiras também.
Logo no início de 1962, com 20 anos de idade, inscreveu a Alfa na “12 Horas de Interlagos” correndo em dupla com o amigo Otorrino Vitalba, mas não foram bem.
“- Eu fui desclassificado, deu curto na bateria, trocamos a bateria na pista, não podia, só no box. Aí parei, vendi a Alfa para o Piero Gancia e comprei um DKW, do ano”.

1962 - Premio Victor Losacco 1962 -  Largada Premio Victor Losacco







Um mês depois correu o “Premio Victor Losacco” já com o DKW Vemag. Não consegui sua classificação.

Entusiasmado com a carreira que se iniciava, comprou de Euclides Pinheiro um “carro de corrida de verdade”, uma Maserati com motor Lancia V6, biposto, visando participar da prova de gala do automobilismo, o “500 Quilômetros de Interlagos”, mas antes se inscreveu no “Prêmio Aniversário ACESP” onde no sábado participou de uma corrida para carros turismo com o DKW, e no domingo quando haveria provas de Carretera e de Mecânica Nacional/Esporte, estrearia a Maserati. Mas não estreou, o ACESP vetou a participação das carreteras que não possuíam “Santo Antonio” (quase todas), gerando uma grande revolta entre os pilotos liderados por Camillo Chistofaro, e após muitas discussões os pilotos se recusaram a participar, causando dessa forma o cancelamento de todas as corridas. Sua estréia na categoria se resumiu então aos treinos.

1962 - Treinos do Prêmio Aniversário ACESP 1962 - Prêmio Aniversário ACESP - Tursmo 1962 - Festival Automobilístico”
 
14/07/1962 - Premiação ACESP

Mas em março, no “Festival Automobilístico” do próprio ACESP, com corridas para diferentes categorias pode finalmente correr com a Maserati. Na prova para carros esporte, o piloto “Rio Negro” (Fernando Antonio Mafra Moreira) sofreu um acidente fatal na Curva 1, bateu de lado nos eucaliptos e dividiu seu carro ao meio, uma Ferrari emprestada pelo piloto Aguinaldo de Goes que estava impossibilitado de correr, a polícia não permitiu a remoção do corpo antes de fazerem a perícia, o que só poderia ser feito após o término das provas. A prova seguinte, para carros Mecânica Nacional, transcorreu em um clima “mórbido”, a prova foi vencida por Camillo Christofaro e Victorio chegou na quinta colocação.
“- Antes fiz uma provinha fraca, foi no dia que morreu o Rio Negro, estava em segundo mas passei em cima do corpo, Fiquei mal, pô foi muito ruim”.

Um tempo depois vendeu esse carro para um amigo do Tatuapé que tinha posto de combustíveis, mas não corria. Vendeu, pois o novo regulamento do “500 Quilômetros” não permitia mais a participação de carros bipostos ou esporte. Foi um duro golpe.

1962 - Circuito de Araraquara

1962 - Circuito de Araraquara

Em Araraquara, interior de São Paulo, participou de uma corrida de rua com o DKW Vemag.
“- Não foi mal não, só que me quebrou, quebrou não, acabou o freio. E eu estava em segundo”.

1962 - 3 Horas de Velocidade

1962 - 3 Horas de Velocidade









Finalmente chegou a “Semana da Velocidade”, promovida pelo jornal “Folha de São Paulo” durante as comemorações da Semana da Pátria em setembro, e compreendia duas provas: “3 Horas de Velocidade” e “500 Quilômetros de Interlagos”, essa, sempre no dia 7 de setembro.
Mas não correu a prova principal só correu com o DKW Vemag a “3 Horas de Velocidade”, prova para carros de turismo. Com problemas chegou apenas em 25º lugar.

Em 1963 fez uma única prova, no mês de novembro participou da prova “1500 Quilômetros de Interlagos”, em dupla com outro piloto do Tatuapé, Aroldo Louzada, no carro Simca Rallye deste.
"- Corri uma vez com o Louzada, a Simca quebrou bem na entrada do Pinheirinho

Em 1964 não correu, casou-se, tinha 23 anos e desse casamento nasceram dois filhos, quando enviuvou casou-se novamente e mais dois filhos, depois veio a separação, divorciou-se e após nova união, mais uma filha.

No final de 1964, decidido a voltar às pistas comprou uma carretera do Caetano Damiani, corredor de Guarulhos (SP).
“-Ah! Carro que andava, na época, era carretera. Comprei a carretera. Queria a 34, só que ele não quis me vender”.

No início de 1965, em março, se inscreveu na prova “1600 Quilômetros de Interlagos” tendo como parceiro Nelson Marcilio, e “Totó”, pai de Nelson, como mecânico preparador.
“- Daí fiz uma corrida com ela, eu e o Nelson Marcilio, cheguei em 10º lugar, quebrou a bomba d’água, estourou a bomba d’água, aí falei - Vamos reformar esse carro - eu não corria toda corrida, quando tinha algum no bolso, eu ia”.

1965 - Carretera pronta

Na parte de trás da loja a carretera foi desmontada, sua carroceria foi abaixada e o chassi reforçado.
“ - Era um carro alto e difícil de pilotar, cortei sua carroceria e abaixei, começava a tomar forma, aí chegou o Justino...”.

Durante o trabalho o Justino de Maio, outro corredor do Tatuapé, foi à loja e viu a carretera, como estava chegando a época da “Mil Milhas” propôs de correrem juntos. A carretera foi levada para a oficina do Justino e seu mecânico preparador, o “Gordinho”, trocou o motor por um do Justino e terminou seu preparo.
“- Levamos o carro e começamos a prepará-lo, trocamos o motor por um dele, um Chevrolet V8 com girabrequim de Corvette, uma usina de força, até os conta-giros quebrava”.

No dia da prova combinaram um ritmo de corrida conservador, afinal era um prova muito longa. Justino que largou, fariam troca de pilotos a cada hora e meia.
“- Começamos bem, com mais ou menos uma hora e meia peguei o carro. Era um canhão. Por volta de três e meia da manhã, tomei a ponta em uma ultrapassagem sobre o Vitório Andreatta na segunda perna da Ferradura. A hora que vi a placa do box informando “1º Lugar”, não acreditei, eu, liderando a Mil Milhas!”.

1965 - Mil Milhas Brasileiras - Bandeirada da vitória

Mas nas voltas finais uma preocupação, com tanto buraco na pista a carroceria foi rachando e perigava do tanque de combustível se soltar e cair.
“- Três voltas antes da bandeirada, balançava tudo, pensei: Meu Deus! Vai cair tudo isso aqui e eu não vou conseguir ganhar essa corrida. Não é possível! - Mas fui rezando, desviando dos buracos nas curvas, não foi fácil, mas deu tudo certo”.

Foi campeão da “VII Mil Milhas Brasileiras” aos 24 anos
“- O Caetano disse que se tivessem mais umas voltas ele ganhava, mas não, estava atrasado, quebrou a embreagem, ficou só com a 4ª marcha, ele voltou para a prova e o carro dele andava demais, me passou umas duas vezes”.

1965 - Curva do Pinheirinho 1965 - Saida da Curva 3 1965 - Mil Milha Brasileiras

Vitória conquistada partiram para o bairro já como ídolos, chegando na Praça Silvio Romero, a principal do bairro, uma multidão os esperava. Foi preciso interditar o transito, nem o ônibus elétrico conseguia passar.
“- Quando paramos o carro foi aquela festa, afinal o Justino e eu éramos do Tatuapé e acabávamos de vencer a Mil Milhas, a corrida mais importante do Brasil, na época”.

Menos de um mês depois foi promovida a prova “250 Milhas de Interlagos”, realizada no sentido inverso ao habitualmente utilizado, e lá estava a dupla novamente com a carretera.
“- Nem cheguei a pilotar, estourou o motor, não fizemos nada no carro, trocou o óleo e fomos para a pista. Só treinei, mas adorei andar assim ao contrário. Você saia do Pinheirinho já acelerando, só tirava o pé no Sargento, o Sol..., no fim da reta oposta rezava para o carro parar. Eu gostei muito”.

Após essa prova deu um tempo na carreira já pensando em parar definitivamente de correr, passou a se dedicar apenas à loja de automóveis. Mas no ano seguinte, 1966, fez uma corrida de 24 horas em parceria com o amigo Ayres Bueno Vidal, no carro deste, um Simca Rallye, mas já na 12ª volta se acidentaram com o DKW Vemag da dupla Henrique Mutti e Juvenal Terra que rodou na curva do “esse”, tiveram que abandonar:
".. acidente espetacular aconteceu na 12ª volta, o DKW Vemag da dupla Henrique Mutti e Juvenal Terra Domene derrapou na Curva do S (antiga) e parou, não conseguindo sair rápido foi atingido pelo Simca da dupla Victorio Azzalin Filho e Ayres Bueno Vidal, que não puderam continuar..." - Livro "24 Horas de Interlagos - a História" (editora Expressão e Arte)

1966 - Mil Milhas c/Expedito Marazzi

Finalmente em novembro o jornalista e piloto Expedito Marazzi.o convenceu a participar da “VIII Mil Milhas Brasileiras”, então inscreveu novamente a carretera na prova fazendo dupla com Marazzi.
“- O carro tinha uma chave geral ao lado do banco e escapou o parafuso que fixava a chave, que começou a bater na lataria, soltar faíscas, e aí queimou o dínamo. Não podíamos ficar parados, o Marazzi tinha arrumado um patrocínio da Philips e ganhávamos por volta. Não tínhamos peça reserva, então tiramos de uma picape Ford F-100 e colocamos na carretera”.

Após essa corrida parou definitivamente de correr aos 25 anos de idade. Vendeu a carretera uns dois anos depois para um amigo do Caetano Damiani, que não era piloto. Com a loja de automóveis continuou até 1974, tentou outros negócios, mas depois em 1978, com 37 anos, foi explorar madeira em Rondônia, até “...puxarem meu tapete”, então retornou à São Paulo em 1997.

Ainda gosta de assistir automobilismo, foi ás primeiras corridas de Fórmula 1 antes de ir para Rondônia, mas agora só pela televisão.
O novo traçado da pista não conhece e nem tem vontade.
“- A pista nova não conheço. Dizem que é um espetáculo, eu acho que não é. Agente gostava de andar, chegava na Curva 1, aí fizeram aquele “esse” ali, a gente emendava a 1 e a 2, era uma delícia”.

Hoje, aposentado, ainda mora no bairro do Tatuapé.
 

Tabela de participações e resultados

25/01/1962 - I 12 Horas de Interlagos/SP - Alfa Romeo Giulietta 1.290cc nº 19 - c/Otorrino Vitalba - DQ
25/02/1962 - Premio Victor Losacco - Interlagos/SP - DKW Vemag 981cc nº 19 - ND
07/04/1962 - I Prêmio Aniversário ACESP - Interlagos/SP - DKW Vemag 981cc nº 19 -
T-1.3 - 7º
20/05/1962 - I Festival Automobilístico do ACESP - MN -Interlagos - Maserati/Lancia 2.451cc nº 30A - MN-2.5 - 5º Lugar
19/08/1962 - I Circuito de Araraquara/SP - Grupo I - Araraquara/SP - DKW Vemag 981cc nº 19 - T-1.3 -
AB
02/09/1962 - I 3 Horas de Velocidade - Interlagos/SP - DKW Vemag 981cc nº 19 - 25º na geral e  ND na T-1.3
10/11/1963 - I 1500 Quilômetros de Interlagos/SP - Simca Rallye 2.432cc nº 19 - c/Aroldo Louzada -
T+1.6 - AB
28/03/1965 - II 1600 Km de Interlagos/SP - Chevr/Corvete 4.350cc nº 38 - c/Nelson Marcilio - TFL - 10º Lugar
27/11/1965 - VII Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP - Chevr/Corvete 4.350cc nº 50 - c/Justino de Maio -
TFL - 1º Lugar
19/12/1965 - 250 Milhas de Interlagos/SP - Chevr/Corvete 4.350cc nº 50 - c/Justino de Maio - TFL - AB    
28/05/1966 - III 24 Horas de Interlagos/SP - c/Ayres Bueno Vidal - Simca Rallye n° 1 - 2.550cc. -  AB        
27/11/1966 - VIII Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP - Chevr/Corvete 4.350cc nº 60 - c/Expedito Marazzi - TFL - AB


Agradecimentos: Rui Amaral e Marcelo Azzalin. 
Fotos do acervo pessoal de Victorio

Foto da MM/66, "emprestada" do livro "Interlagos - 1940 a 1980" de Paulo Scali - Imagens da Terra Editora


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