Página acrescentada em 17 de junho de 2009
Victorio Azzalin (Victorio
Azzalin Filho)
por
Paulo Roberto Peralta
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Victorio/2009 |
Paulistano,
filho de italianos, nascido em 20 de agosto de 1941 no bairro do
Tatuapé, zona leste de São Paulo, onde passou a infância, a
adolescência, estudou e cresceu. Seu pai tinha uma indústria de móveis
e colchões a Av. Celso Garcia e logo ele foi trabalhar com o pai e
o irmão.
Seu irmão mais velho, Rubens Azzalin, corria de automóveis e
Victorio foi tomando o gosto pelas competições.
Durante o governo de Jango Goulart a fábrica “quebrou”, Victorio
então abriu uma loja de automóveis.
Como o espaço era bastante
grande, alugou os fundos da loja para funileiro, pintor e mecânico.
Em 1961 comprou uma Alfa Romeu Giulietta do amigo Julio Botelho, o Julinho,
jogador da Fiorentina na Itália, e logo no início de 1962, com 20
anos de idade, inscreveu a Alfa na “12 Horas de Interlagos” em
dupla com o amigo Otorrino Vitalba, mas não foram bem.
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Primeira
corrida, a Alfa e Vitalba - 1962 |
“- Eu
fui desclassificado, deu curto na bateria, trocamos a bateria na
pista, não podia, só no box. Aí parei, vendi a Alfa para o Piero
Gancia e comprei um DKW, do ano”.
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| Largada Premio Victor Losacco
- 62 |
Um mês depois correu o “Premio Victor Losacco” já com o
DKW.
Entusiasmado com a carreira que se iniciava, comprou um “carro de
corrida” de Euclides Pinheiro, uma Maserati com motor Lancia V6,
biposto, para participar da prova de gala do automobilismo, o “500 Quilômetros
de Interlagos”. Antes, se inscreveu no “Prêmio Aniversário
ACESP” onde participou de uma corrida para carros
turismo com o DKW no sábado e no domingo estrearia a Maserati. Mas não
estreou. O ACESP vetou a participação das carreteras que não
possuíam santoantonio (quase todas), gerando uma grande revolta
entre os pilotos que se recusaram a participar, todas as corridas
foram canceladas. Sua estréia na categoria se resumiu então aos
treinos.
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Treinando com a Maserati - 62
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Mas em março, no “Festival Automobilístico”, do próprio
ACESP, com corridas para diferentes categorias pode finalmente
correr com a Maserati. Na prova para carros esporte, o piloto “Rio
Negro” (Fernando Antonio Mafra Moreira) sofreu um acidente fatal
na Curva 1, bateu de lado nos eucaliptos e dividiu seu carro ao
meio, uma Ferrari emprestada pelo piloto Aguinaldo
de Goes que estava impossibilitado de correr. A prova seguinte,
para carros Mecânica Nacional, transcorreu em um clima “mórbido”,
a prova foi vencida por Camillo
Christofaro e Victorio chegou na quinta colocação.
Na
semana seguinte vendeu esse carro para um amigo do Tatuapé, que não
corria, tinha um posto de combustíveis. Vendeu, pois o novo
regulamento do
500 Quilômetros não permitia mais a participação de carros bipostos ou esporte.
Em
Araraquara, interior de São Paulo, participou de uma corrida de rua
com o DKW.
“- Não foi mal não, só
que me quebrou, quebrou não, acabou o freio. E eu estava em segundo”.
Finalmente chegou a “Semana da Velocidade”, promovida pelo
jornal “Folha de São Paulo” durante as comemorações da Semana
da Pátria em setembro que compreendia duas provas: “3 Horas de
Velocidade” e “
500 Quilômetros
de Interlagos”, essa, sempre no dia 7 de setembro.
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3
Horas de Velocidade - 1962
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Só correu a “3 Horas”, prova para carros de turismo, com
o DKW.
Com problemas chegou em 25º lugar.
Em 1963 fez uma única prova, a “1500 Quilômetros
de Interlagos”, em dupla com outro piloto do Tatuapé, Aroldo
Louzada, no carro Simca Rallye deste.
“- Corri uma vez com a Simca,
quebrou bem na entrada do Pinheirinho”.
Em 1964 não correu, aos 23 anos casou-se e desse casamento tiveram
dois filhos, quando enviuvou casou-se novamente e mais dois filhos,
depois veio a separação, divorciou-se e após nova união, mais
uma filha.
Decidido a voltar às pistas comprou no final de 1964 uma carretera
do Caetano Damiani,
corredor de Guarulhos (SP).
“- Comprei a carretera. Ah!
Carro que andava, na época, era carretera. Queria a 34, só que ele
não quis me vender”.
No início de 1965, em março, se inscreveu na prova “1600 Quilômetros
de Interlagos” tendo como parceiro Nelson Marcilio, e “Totó”,
pai de Nelson, como mecânico preparador.
“- Daí fiz uma corrida com
ela, eu e o Nelson Marcilio, cheguei em 10º lugar, quebrou a bomba
d’água, estourou a bomba d’água, aí falei - Vamos reformar
esse carro - eu não corria toda corrida, quando tinha algum no
bolso, eu ia”.
Na parte de trás da loja a carretera foi desmontada, sua carroceria
foi abaixada e o chassi reforçado.
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A carretera pronta para a "Mil Milhas" |
“- Era um carro alto e difícil
de pilotar, cortei sua carroceria e abaixei, começava a tomar
forma, aí chegou o Justino...”.
Durante o trabalho, Justino de Maio outro corredor do Tatuapé foi
à loja e viu a carretera, estava chegando a “Mil Milhas” e
combinaram de correrem juntos.
“- Levamos o carro para
a oficina dele e o
"Gordinho" começou
a prepará-lo, trocou
o motor por um deles, um Chevrolet
V8 com girabrequim de Corvette,
uma usina de força, até os conta-giros quebrava”.
No dia da prova combinaram um ritmo de corrida conservador, afinal
era um prova muito longa.
“- Começamos bem, com mais
ou menos uma hora e meia peguei o carro. Era um canhão. Por volta
de três e meia da manhã, tomei a ponta em uma ultrapassagem sobre
o Vitório
Andreatta na segunda perna da Ferradura. A hora que vi a placa
do box informando “1º Lugar”, não acreditei, eu, liderando a
Mil Milhas!”.
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Victorio recebe a bandeirada - 1965 |
Mas nas voltas finais, uma preocupação, com tanto buraco na pista
a carroceria foi rachando e perigava do tanque de combustível se
soltar e cair.
“- Três voltas antes da
bandeirada, balançava tudo, pensei: Meu Deus! Vai cair tudo isso
aqui e eu não vou conseguir ganhar essa corrida. Não é possível!
- Mas fui rezando, desviando dos buracos nas curvas, não foi fácil,
mas deu tudo certo”.
Foi campeão da “Mil Milhas Brasileiras” aos 24 anos
“- O Caetano disse que se
tivessem mais umas voltas ele ganhava, mas não, estava atrasado,
quebrou a embreagem, ficou só com a 4ª marcha, ele voltou para a
prova e o carro dele andava demais, me passou umas duas vezes”.
Vitória conquistada partiram para o bairro já como ídolos,
chegando na Praça Silvio Romero uma multidão os esperava. Foi
preciso interditar o transito, nem o ônibus elétrico conseguia
passar.
“- Quando paramos o carro
foi aquela festa,
afinal o Justino e eu éramos do Tatuapé e
acabávamos
de vencer a Mil Milhas, a corrida mais importante do Brasil, na época”.
Menos de um mês depois foi realizada a prova “
250
Milhas
de Interlagos”, corrida no sentido inverso ao habitualmente
utilizado, e lá estava a dupla novamente com a carretera.
“- Nem cheguei a pilotar,
estourou o motor, não fizemos nada no carro, trocou o óleo e fomos
para a pista. Só treinei, mas adorei andar assim ao contrário”.
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Mil Milhas 66 c/Expedito Marazzi |
Após essa prova deu um tempo na carreira e já pensando em parar de correr
definitivamente passou a se dedicar apenas à loja de
automóveis. Mas no ano seguinte, 1966, o jornalista e piloto Expedito
Marazzi o convenceu a participar, então inscreveu novamente a
carretera na “Mil Milhas”, em dupla com Marazzi.
“- O carro tinha uma chave
geral ao lado do banco, o tanque atrás, e escapou o parafuso que
fixava a chave, que começou a bater na lataria, soltar faíscas, e
aí queimou o dínamo. Não podíamos ficar parados, o Marazzi tinha
arrumado um patrocínio da Philips e ganhávamos por volta. Não tínhamos
peça reserva, então tiramos de uma picape Ford F-100 e colocamos
na carretera”.
Aí então parou definitivamente de correr aos 25 anos de
idade. Vendeu a carretera uns dois anos depois para um amigo do
Caetano Damiani, que não era piloto. Com a loja de automóveis
continuou até 1974, depois tentou outros negócios mas em 1978, com
37 anos, foi explorar madeira em Rondônia, até “puxarem seu
tapete”, então retornou à São Paulo em 1997.
Automobilismo ainda gosta, foi ás primeiras corridas de Fórmula 1,
até ir para Rondônia, agora só assiste pela televisão. O novo
traçado não conhece e nem tem vontade.
“- A pista nova não conheço.
Dizem que é um espetáculo, eu acho que não é. Agente gostava de
andar, chegava na Curva 1, aí fizeram aquele “esse” ali, a
gente emendava a 1 e a 2, era uma delícia”.
Hoje,
aposentado, ainda mora no bairro do Tatuapé.
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1962 - Premio Victor Losacco |
MM/65
- Ultrapassando um Gordini |
MM/65
- À
frente da carretera
de Ayres Bueno Vidal |
Victorio
e seus troféus
2009 |
Tabela
de participações e resultados
25/01/1962 - I 12 Horas de
Interlagos/SP - Alfa Romeo
Giulietta 1.290cc nº 19 - c/Otorrino Vitalba - DQ
25/02/1962 - Premio Victor Losacco -
Interlagos/SP - DKW Vemag
981cc nº 19 - ND
07/04/1962 - I Prêmio Aniversário ACESP - Interlagos/SP
- DKW Vemag 981cc nº 19 - T-1.3
- 7º
20/05/1962 - I Festival Automobilístico
do ACESP - MN -Interlagos - Maserati/Lancia
2.451cc nº 30A - MN-2.5
- 5º Lugar
19/08/1962 - I Circuito de Araraquara/SP - Grupo I - Araraquara/SP
- DKW Vemag 981cc nº 19 - T-1.3 - AB
02/09/1962 - I 3 Horas de Velocidade -
Interlagos/SP - DKW Vemag
981cc nº 19 - 25º
na geral e ND na T-1.3
10/11/1963 - I
1500 Quilômetros
de Interlagos/SP - Simca
Rallye 2.432cc nº 48 - c/Aroldo Louzada - T+1.6
- AB
28/03/1965 - II
1600 Km
de Interlagos/SP - Chevr/Corvete
4.350cc nº 38 - c/Nelson Marcilio - TFL
- 10º Lugar
27/11/1965 - VII Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP
- Chevr/Corvete 4.350cc nº 50 - c/Justino de Maio - TFL
- 1º Lugar
19/12/1965 -
250 Milhas
de Interlagos/SP - Chevr/Corvete
4.350cc nº 50 - c/Justino de Maio - TFL
- AB
27/11/1966 - VIII Mil Milhas
Brasileiras - Interlagos/SP - Chevr/Corvete
4.350cc nº 60 - c/Expedito Marazzi - TFL
- AB
Agradecimentos: Rui Amaral e
Marcelo Azzalin.
Fotos do acervo pessoal de Victorio
Foto da MM/66, "tomada
emprestada" do livro "Interlagos - 1940 a 1980"
de Paulo Scali - Imagens
da Terra Editora
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