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Página acrescentada em 03 de junho de 2015.
 

Chico Landi
(Francisco Sacco Landi)

Não deixe de ver uma entrevista dele em 1958

Chico Landi
Infancia

Filho de Paschoal Landi (italiano) e Antonieta Sacco Landi (oriundi) nasceu em 11 de julho de 1907 numa chácara na Rua Voluntários da Pátria (antiga Estrada para Bragança) no bairro de Santana, em São Paulo. Teve 4 irmãos: Esperança (que viria a ser mãe de Camillo Chistofaro), Quirino, Afonso e Paschoal.

Seu pai veio de Nápoles no inicio dos anos 1890 e tempos depois já estava estabelecido no ramo de terraplanagem, quando se casou com uma filha de italianos. Dispondo de boa situação financeira colocou os filhos para estudar em bons colégios, mas morreu de tifo em 1911 quando Chico tinha apenas 4 anos de idade. A situação financeira da família foi ficando ruim obrigando os filhos a trabalhar para ajudar no sustento da casa. Quirino, mais velho, aprendeu o oficio de mecânico e trabalhava no centro, já Chico, aos 11 anos e com o curso primário completo, teve que deixar a escola e trabalhar, inicialmente como ajudante de açougueiro e tipografo (como ele disse à Revista 4 Rodas em 1964), aos 14 anos passou para uma oficina mecânica, de um austríaco, para aprender o oficio, ficava na Rua dos Gusmões, logo que aprendeu passou para a oficina de um amigo de seu irmão Quirino, onde preparavam carros da marca Hudson. Os irmãos iam de bonde toda manhã, e a diversão do então menino Chico era assistir os rachas noturnos que mecânicos e motoristas de praça disputavam nas ruas.

“Os mecânicos desafiavam os choferes de praça na base de apostas de 500 réis para cima (um dinheirão naquele tempo) e as corridas eram feitas na Av. Brigadeiro Luis Antonio, Av. Pompeia e Rua Hadock Lobo. Porém à luz de lampião, depois das 11 da noite e com regras próprias (handicap de carro mais possante, por exemplo, era carregar gente dentro; quanto melhor, mais passageiros nele). Às vezes, o então chefe de Trânsito, Rudge Ramos, interrompia a corrida, mandando prender os pilotos noturnos.

Chico Landi não participava, servia de contrapeso na lotação dos carros melhores ou ficava de for, torcendo. Esperava seu dia de corredor enquanto aprendia no Hupmobile do irmão. Antes de comprar o primeiro carro, Chico vai tirar gostinho de velocidade com motocicleta, em pista de terra, no Alto da Lapa.” - Revista 4 Rodas 1964

O talento especial de Chico para solucionar problemas mecânicos e preparar carros fez sua fama entre os participantes dos rachas.

Em 1926, com 19 anos, começou a trabalhar na Ford, que na época estava instalada na Rua Florêncio de Abreu, trabalhava na linha de montagem.

Em seguida passou a trabalhar na General Motors, onde comprou em 1928 um Chevrolet, apelidado de “Cabeça de Cavalo”:

“- Aprendi a correr naquele Chevrolet 28. No início tirava rachas que valiam 5 mil réis ao vencedor, numa época em que a lata de gasolina com 18 litros, custava 2 mil réis." Contava Chico.

Depois ele ainda trabalhou na empresa que montava os caminhões REO e posteriormente abriu oficina própria.

Sua primeira corrida oficial seria o primeiro Circuito da Gávea em 1933, iria correr com um carro Ford Adaptado de um amigo, mas esse sofreu um acidente e Chico não conseguiu aprontar o carro a tempo de participar, mas no ano seguinte (34) estreou no “II Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro” correndo com uma Bugatti emprestada (provavelmente de Dante di Bartolomeu). Largou em segundo e se manteve nessa posição por 8 voltas (a prova tinha 20) quando abandonou por problemas mecânicos. Em 1935 voltou a competir na Gávea, mas não concluiu, 21 dias depois participou e venceu nas ruas de terra vermelha do Jardim Chapadão em Campinas (SP) com um Fiat que a Equipe Excelsior havia comprado do argentino Vitorio Rosa. Pela vitória Chico ganhou 10 contos de Réis e um terreno no loteamento. Depois correu pela primeira vez no exterior, a “500 Milhas de Rafaela” na Argentina. Abandonou por quebra.

Em 1936 correu a prova “Thermal de Poços de Caldas”, sem concluir. Por essa época mudou sua oficina para o Rio de Janeiro, participou da IV Gávea e do “Grande Premio Cidade de São Paulo”, onde sofreu com problemas de superaquecimento em seu carro, em seguida foi à Argentina participar de duas provas e de uma em Porto Alegre (RS).

Ano seguinte (37) disputou a V Gávea, participou de 4 provas na Argentina, e a partir da segunda delas passou a usar uma Alfa Romeo conseguindo bons resultados.

Chico Landi Anos 40

Em 1938 houve duas edições do Circuito da Gávea e Chico participou das duas: “I Circuito da Gávea Nacional”, 2º lugar e “VI Grande Premio Cidade do Rio de Janeiro”, 9º lugar, e participou de uma prova nas ruas do bairro do Pacaembu. Em 39 além de participar da corrida na Gávea obteve sua segunda vitória, foi nas ruas da cidade de Piracicaba (SP).

Em 1940 foram três provas, a primeira foi a prova de inauguração do Autódromo de Interlagos onde depois de uma disputa com Nascimento Junior terminou em segundo, mas agora de Maserati comprada na Itália que chegou um mês antes da prova, na Gávea novamente em segundo e no “Raid Rio de Janeiro/Porto Alegre” não concluiu.

Dobradinha Landi

Em janeiro de 41 ficou em 4º lugar no “GP de Santa Fé” na Argentina e em setembro conseguiu sua tão almejada vitória no circuito da Gávea, com dobradinha da família Landi, Quirino chegou em 2º lugar. Com a vitória seu nome foi parar nas manchetes dos jornais.

“- Estou satisfeito com a vitória que acabei de conquistar e, estou certo, levarei para São Paulo um triunfo que muito o honrará. A Gávea é realmente um “Trampolim do Diabo”, pois não só oferece milhares de sensações como também grandes surpresas, é o que posso dizer no momento.” Disse Chico à Folha da Manhã logo após a prova.

Em 41 participou de 4 provas com ótimos resultados, além de voltar a residir e ter oficina em São Paulo.

Em 1942, devido à Segunda Guerra, o Brasil passava por racionamentos diversos, principalmente de combustíveis, importava cada gota do petróleo aqui consumido, e as corridas ficaram suspensas. Foi adotado então o gasogênio como combustível e Chico em sua empresa (Francisco Landi & Cia. Ltda.) passou a produzir aparelhos com o nome de “Gasogênio Falcão”.

De 43 a 45 participou de provas de carros movidos a gasogênio com expressivos resultados, sendo o campeão em 1944.

“- Depois da Guerra, houve um surto. Pilotos top como Alberto Ascari, Acchile Varzi e Luiggi Villorezzi vieram para Brasil e Argentina participar de provas que foram o cerne do nascimento de uma indústria automobilística de competição na América do Sul”. Explica o jornalista Cláudio Carsughi.

Em 46 as corridas recomeçaram e Chico voltou a correr com a Alfa Romeo, foram duas corridas no Rio de Janeiro com duas vitórias. No ano seguinte venceu o “Grande Premio Cidade de São Paulo”, em Interlagos, depois foi para a Argentina correr nos: “GP Juan Domingo Peron”, “GP Ciudad de Buenos Aires” e “ GP Ciudad de Rosário”, não venceu, mas na primeira chegou a frente de Vilorezi (Maserati) e Varzi (Alfa Romeo). Em março seguinte foi realizado o “I Grande Premio Interlagos” e Chico chegou em segundo, atrás apenas de Varzi.

“Das 20 voltas efetuadas, Varzi passou em primeiro lugar apenas em sete, sendo que nas demais em segundo. Como se vê Landi dominou a maior parte da corrida. Chico Landi cedeu terreno ao seu adversário somente nas ultimas seis voltas pois viu-se obrigado a parar para trocar os dois pneus traseiros de sua maquina.” - Folha da Manhã - 01/04/1947

1947 - Pedro Santalucia, presidente do Automovel Club de Bari e Chico Landi

Menos de um mês depois Chico venceu os dois italianos: Varzi e Viloresi, foi sua segunda vitória consecutiva na Gávea. De 42 até 46 não houve a corrida da Gávea. Ainda em 47 Landi partiu para a Europa acompanhado de Pedro Santalúcia do Departamento Técnico de Corridas do ACB (Automóvel Clube do Brasil) como seu manager.

“- Convenci Landi e juntamos nossas economias. Com muito esforço conseguimos um abatimento nas passagens da Panair para a Itália. O ACB havia alugado o Maserati do piloto Henrique Platé para Chico correr em Bari. Platé tinha ido competir na Holanda e só chegou a Bari no sábado ao meio dia! Chico não conhecia o carro e tinha que correr a eliminatória. O carro não tinha revisão, vazava óleo e vinha surrado de 500 quilômetros desde a Holanda, sem ver oficina. Pois bem, Chico fez o terceiro tempo, atrás de Varzi e Sanesi, tornando-se logo um ídolo dos italianos! No dia seguinte, na corrida, Chico sai na ponta e faz uma volta inteira na frente das “Alfetas”. Mas após a 15ªvolta ele abandonou por problemas de combustão, quando ocupava o 3º posto.” Revista do Automóvel - 1955

Ele se casou em 1947 com Maria Aparecida e tiveram dois filhos: Luiz Augusto (1950) e Rita Teresinha (1960). Reza a lenda que ela nunca assistiu uma corrida sua,

Voltando ao Brasil ele venceu em Campinas no “Circuito do Chapadão”, e no ano seguinte (48) ele participou de 14 provas vencendo oito delas, inclusive sua terceira Gávea e Bari na Itália com vitória, fez 4 provas na Argentina chegando em segundo em duas delas, correu também o “GP Penya Rhin” em Barcelona na Espanha, mas sem completar. (ver mais uma aqui)

Em 1949 participou de 9 provas com quarto lugar em Bari e em Monza e três vitórias no Brasil: Pacaembu, Pampulha e Quinta da Boa Vista, mas o ano acabou de forma triste, participando como favorito da "Prova Washington Luiz" que saindo de São Paulo passava por São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Sorocaba e retornava à São Paulo, passando por diversas cidades que ficavam no percurso, totalizando 1.210 Km. Tendo vencido a primeira etapa e liderando a segunda, chegou à cidade de São Manoel e numa ladeira seus freios falharam e após algumas tentativas resolveu abalroar a parede de uma casa, mas um colono tentando desviar do carro acabou sendo prensado por ele contra a parede e morreu. Chico apesar de poder reparar o carro e prosseguir preferiu desistir (para saber mais clique aqui)

Jornal A Noite - 8/7/50

Em 1950 participou de cinco provas vencendo três delas, não participou de Bari por um desencontro, o carro que comprou foi despachado erroneamente para o Brasil. 1951 começou com uma vitória em Interlagos e em duas outras, participou da “24 Horas de Interlagos - Mercedes Benz” em dupla com Sebastião Casini. Chico pilotou direto por 9 horas e 13 minutos parando apenas para reabastecer e trocar pneus, e quando na madrugada passou o volante para Sebastião Casini estavam em 2º lugar e ai ficaram até o final. Participou sem sucesso em Bari na Itália, e finalmente participou pela primeira vez de uma prova da recém-criada Formula 1, foi em Monza no “GP da Itália” com uma Ferrari, foi o primeiro brasileiro a participar desse campeonato e o único que dirigiu uma Ferrari particular.

Das 17 provas que disputou em 52, duas foram na Argentina, duas no Uruguai, três no Brasil e o resto foi na Europa, onde montou a Equipe Bandeirantes, provavelmente em sociedade com o uruguaio Eitel Cantoni, para oparticipar da F1 e levou o amigo Gino Bianco para pilotar também, Chico coreu na Holanda e Monza, de Maserati, 9º e 8º, obteve uma única vitória, em Bari, mas dessa com uma Ferrari 225S, esporte.

Na prova da Gávea 52 o acelerador de sua Maserati travou, para não cair no mar ele bateu na mureta e se feriu na perna, no hospital os médicos falaram em amputação, mas ele, ajudado por seu mecânico e amigo “Cacau”, tratou logo de fugir.

Teve três vitórias em 1953, todas no Brasil e também participou de duas provas da F1: Suíça e Monza, 8º e 26º respectivamente.

Em 1954 teve três corrida no Brasil, com uma única vitória em Salvador (BA) e mais duas provas na Itália, em 1955 quase só correu no exterior, duas provas em Bari, no mesmo dia, uma com carros até 2000cc e outra com carros acima de 2000cc (Ferraris 500 e 750), 8º e 9º respectivamente, outra em Monza e mais outra em Caracas na Venezuela, e uma no Brasil, 4º lugar em Interlagos.

Três provas na Argentina marcam o inicio de seu ano de 1956, uma delas válida pelo campeonato de F1, onde dividiu a condução do carro com Gerino Gerini, o quarto lugar dava direito a 3 pontos, então cada piloto ficou com 1,5 pontos, os primeiros pontos de um piloto brasileiro na F1, depois uma em Paris e finalmente a primeira edição da “Mil Milhas Brasileiras” em dupla com José Gimenes Lopes.

O carro de Chico incendiado

Sua ultima participação no exterior foi em 1957 em Lisboa a bordo de uma Maserati 200S com um 6º lugar, sua prova seguinte foi a primeira “500 Km de Interlagos” quando pela primeira vez fez dupla com seu sobrinho Camillo Chistofaro, mas seu carro, na quinta volta, teve um principio de incêndio e ele abandonou.

Chico e Gimenez
Mil Milhas 57

Na segunda edição da “Mil Milhas Brasileiras” (57), em dupla com Gimenez, foram desclassificados por causa de uma lanterna apagada, na segunda volta foram advertidos para parar, mas Gimenez não parou, depois que Chico assumiu o volante foi recuperando posições até chegar a liderança que mantiveram até a volta 201 e vencerem. Venceram mas não levaram. Chico até subiu no pódio, mas na terça feira seguinte os comissários concluíram pela desclassificação. Participou de mais três provas, com uma vitória apenas.

Em junho de 58 foi participar da “I 500 Km de Porto Alegre” em dupla com José Gimenez Lopes que no treino destruiu a carretera. Como Chico era uma das atrações da prova não podia ficar de fora, ai o também paulista Luiz Américo Margarido que iria correr em dupla com Celso Lara Barberis cedeu sua carretera para Chico correr em dupla com Barberis. Mas não terminaram a prova.

Em 58 junto com o amigo José Gimenez Lopes montou a Escuderia Tubularte para participar do 500 Km, como pilotos, além dos sócios, contavam com Fritz D’Orey, participou de mais 4 provas, com uma vitória na Barra da Tijuca. Em 59 apenas 2 provas e no ano seguinte, como ele sempre contava, a sua maior corrida:

“- Em 60, com um Oldsmobile de passeio, fiz outra das corridas mais emocionantes da minha vida: levei minha mulher às presas para a maternidade, onde nasceu minha filha.”

Como parte da inauguração de Brasilia foram realizadas 3 provas e Chico participou de duas delas vencendo a de carros Turismo GEIA, depois a “I 24 Horas de Interlagos”, para carros nacionais, em sua segunda dupla com o sobrinho Camillo Cristofaro num carro FNM/JK, depois 500 Km e Mil Milhas, vencendo essa prova  em dupla com Christian Heins com um FNM/JK.

1962 - 500 Km

Em 61 participou de 4 provas vencendo 3 delas e um 2º lugar. No ano de 1962, montou com Toni Bianco, Luis Greco e Eugenio Martins a “Indústria de Automóveis Brasil Ltda.” instalada no galpão nos fundos de sua casa na Rua Afonso Brás no bairro da Vila Nova Conceição para fabricar carros da Formula Jr., freios a disco e kits para preparação do Gordini.

Em 62 foram 8 provas, sendo duas em dupla com o sobrinho Camillo, com uma vitória, nesse ano estreou seu carro Landi/Bianco/JK construído na sua empresa para Chico correr no 500 Km, correu a ultima prova do ano em dupla com Mario Cesar de Camargo Filho, o “Marinho”, pilotando um Porsche 356-S90. Essa prova tem uma história:

Chico, nos treinos deixou o cabo do acelerador sem o curso total do pedal e Marinho tentava baixar o tempo e o tempo não melhorava:
- Não sei guiar esse troço aqui, eu sei guiar tração dianteira, esse negócio aqui não vai, o tempo não vem.”  
E quando chegou a hora da classificação Marinho pensou em desistir, mas Chico Landi foi atrás do carro, abriu o capô e esticou o cabo. Marinho foi para a pista e fez a pole. Não venceram por causa de uma roda quebrada.

Chico (ao volante) e Marivaldo - Berlineta Willys

Em 63 fez 7 provas, com uma vitória em Araraquara (SP) pilotando o formula Landi/Bianco/JK, com esse mesmo carro ele perdeu o amigo Celso Lara Barberis num acidente no “500 Km de Interlagos”, iriam correr em dupla. Nesse ano começou a participar como consultor da Equipe Willys e fez uma prova em dupla com Marivaldo Fernandes e outra com Luiz Pereira Bueno num Willys Interlagos. Começou o ano de 64 correndo novamente com Luizinho em El Pinar (Montevidéu), depois já fora da equipe fez mais 5 provas com 2 vitórias.

Em 1965 não correu, foi contratado para chefiar a equipe da Simca, para aliviar um pouco Ciro Cayres que acumulava a função junto com a de piloto. Na Simca Chico organizou o departamento e quando do lançamento do motor Tufão, na prova “Seis Horas de Brasília” ele viabilizou uma ordem do Marketing para deixar o protótipo Tempestade vencer, ao invés dos Abarths. A vitória seria de um Simca de qualquer forma. Pela equipe em 66 Chico correu o GP Rodovia do Café em agosto chegando em 4º na geral e 1º na categoria Turismo de 1301 até 2000 com Roberto Argentino em 2º e Toco em 3º, todos de Simca.  No “GP IV Centenário do Rio de Janeiro” Chico foi procurado por um oficial da justiça por as Abarths estarem com a documentação vencida, e apareceu uma Ferrari 250 GTO de 58 atualizada como modelo 63, de seu sobrinho Camillo, os carros da Simca quebraram e Camillo venceu, mas o tio Chico protestou dizendo que aquele carro não poderia ser considerado um Gran Turismo, no máximo um protótipo, mas não adiantou, a CBA homologou, depois de consultar a Ferrari na Itália, os resultados. Depois da prova os Abarts foram apreendidos e Chico insinuou que o sobrinho o teria denunciado ao fisco, mas não, o prazo dos  carros permanecerem no Brasil havia expirado mesmo.

Simca Spyder lançamento

Mas em outubro a Simca conseguiu a liberação dos carros para participarem da prova “500 Km de Interlagos” quando Jayme Silva venceu. A Simca então passou a correr apenas com seus sedans e eventualmente com as carreteras e Chico começou a desenvolver um protótipo, o Simca Spyder, também chamado de “Ventania”, apresentado em fevereiro de 66 em Jacarepaguá, mas a Simca estava sendo comprada pela Chrysler e projeto foi arquivado e o protótipo vendido para Roberto "Argentino" Gomez. Como ultima participação da equipe, Chico, já com 59 anos, resolveu participar em outubro de 66 do “X GP Argentino de Turismo Melhorado”, prova de estrada na Argentina, mas foi um desastre total, nem terminaram a prova.

Em 1968 abriu com o amigo Eugenio Martins a CBE (Companhia Brasileira de Empreendimentos) representante da marca BMW no Brasil. Como não podia deixar de ser os sócios montaram uma equipe de competição e Chico fez três provas, vencendo uma em dupla com Jan Balder em Porto Alegre (RS). Essa loja e a equipe foram vendidas para Aguinaldo de Goes em 69, que a rebatizou como CEBEM.

Chico, com um carro Opala da nova equipe de Eugênio Martins, venceu em 69 a prova Governador Paulo Pimentel para carros nacionais, realizada no aniversário de Curitiba (PR). Foi a primeira vitória desse modelo da GM. Ainda em 69, Chico participou em dupla com Antônio Carlos Avallone de uma prova em Fortaleza (CE) no Autódromo Virgílio Távora com uma velhusca Maserati 300S modificada e com motor Corvete. Não concluíram.

Chico passou a se dedicar apenas a preparar carros em sua oficina e eventualmente dar assistência à pilotos na pista.

“- Hoje, recebo convites, mas não corro mais. Se um garoto sair mal numa curva vão dizer que é ousadia; se eu sair, é velhice. Por isso, prefiro ficar na minha oficina preparando Opalas de competição e batendo papo com a rapaziada.”

Em uma reportagem sobre o que se esperava do automobilismo em 1971 Chico, um dos entrevistados, disse à Revista 4 Rodas:

“- Atualmente os corredores dispõem de facilidades que não existiam antigamente quando enfrentávamos enormes dificuldades para obter peças de reposição. Foi muito agradável para mim acompanhar a boa atuação dos brasileiros no exterior. Isso provoca uma influencia muito benéfica sobre o automobilismo brasileiro, estimulando jovens pilotos e despertando maior interesse no publico. E serve também para mostrar a categoria dos nossos corredores.”

Mas em 1973 com 66 anos faz dupla com seu filho, então com 23 anos, e Antônio Castro Prado com um Ford Maverick na prova “25 horas de Interlagos” terminando em 3º lugar. Foi sua ultima corrida como piloto e após declarou:

Toninho Martins entrgando o troféu

“- Resolvi. Não entro mais num carro nem para experimentar. Quero completar um ano sem correr e se isso acontecer será a primeira vez desde que comecei. Então posso ter a certeza que parei.”

E em 1974, depois de inaugurado o Autódromo de Brasília com uma prova da F1, aconteceu uma prova que seria a inauguração "nacional" da pista, foi o "Mil Quilômetros de Brasilia", e Chico estava presente. Os pilotos locais então aproveitaram  para fazer uma homenagem à ele e liderados por Toninho Martins entregaram uma placa e uma medalha por sua carreira, encerrada no ano anterior.

Deixou as pistas e competições, mas não o esporte, em 1987 assumiu como administrador do Autódromo de Interlagos, convidado pelo então prefeito Jânio Quadros e quando Luiza Erundina assumiu e assessorada por Piero Gancia, então presidente da CBA, resolveu reformar a pista e trazer de volta a F1 para São Paulo, Chico, mesmo tendo sido substituído por Chico Rosa na administração, muito colaborou, mas não conseguiu ver a reinauguração em dezembro de 1990, faleceu antes, no dia 7 de junho de 1989 por infarto agudo do miocárdio, edema pulmonar e insuficiência cardíaca no Hospital Sírio Libanês. Suas cinzas foram espalhadas pelo Autódromo de Interlagos, conforme pedido seu feito à esposa e seus dois filhos.

“- Vi nascer esse autódromo e aqui vou morrer.” Disse Chico ao concluir um balanço de sua vida numa reportagem à Revista 4 Rodas em 1988.

 

Sua primeira corrida em Bari (Italia) em 1947 Bari (Italia) em 1949 - quarto lugar
Sua vitória em 1952 em Bari (Italia) Chico e seu carro movido a Gasogênio em 1944
 

 

  
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