Um pouco das lendas e das histórias do automobilismo dos anos sessenta
 

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Landi / Bianco / JK

Esse carro só foi construído devido a dificuldade de se encontrar um carro competitivo para Chico Landi participar da prova "500 Quilômetros de Interlagos" em 1962.
Os carros de mecânica nacional eram velhos modelos "Grand Prix" (monopostos) europeus, equipados com motores americanos, a maioria da década de 30 ou 40, uns poucos da década de 50, todos já bastante desgastados. Os melhores, ainda competitivos, já estavam inscritos.

Toni Bianco, sócio de Chico, estava concluindo a fabricação de quatro carros da nova Fórmula Junior, três com motor Gordini (
998cc) e um com motor DKW (981cc) e também uma adaptação desse chassi usando o motor Simca V8 (2.432cc) para Jayme Silva. Dai surgiu a idéia, só que faltavam pouco mais de vinte dias, mas ele fez a proposta: "- ...vamos construir um e usar o motor JK." (1975cc).  Chico concordou pois confiava no sócio.
Os "Fórmula Jr" já eram carros de concepção moderna: leves, estáveis, pequenos, com motor traseiro de no máximo 1.000cc e derivado de um "carro de rua".
A versão com motor maior foi enquadrada como Mecânica Nacional até 2.5 e teria sido uma ótima solução para modernizar a categoria, substituindo os antigos "charutinhos", mas a categoria não prosperou.
O carro ficou pronto na véspera do treino classificatório. Chico foi para a pista e conseguiu o quarto tempo.
Na prova, ia indo bem até que queimou a junta do cabeçote, sendo obrigado a desistir.
Naquele ano ainda, e com o mesmo carro, Chico ganhou no "Circuito de Araraquara", pista de rua no interior de São Paulo, e novamente ia usá-lo nos 500 Quilômetros em 1963, e como seu amigo Celso Lara Barberis, tri-campeão da prova, estava sem carro para a prova, acertaram de correr em dupla. Chico ia largar e Celso fazer a chegada, mas por fatalidade dez minutos antes resolveram inverter, como confiavam muito no carro seria interessante Chico receber a bandeirada de chegada.
Na subida da reta dos boxes seu carro foi tocado por outro competidor e, desgovernado, capotou. Celso faleceu em conseqüência dos ferimentos. Em respeito ao amigo, Toni Bianco sucateou o carro.
 
500 Km - 07/09/62 - Estréia Araraquara/SP - 19/08/63 500 Km - 07/09/63 Estado em que ficou o carro

Ficha Técnica

Ferrari 156 F1 (Shark Nose) 1961 inspirou a frente do carro  

Chassi: Aço cromo molibdênio
Peso do chassi: 35 Kg.
Carroceria: Fibra de vidro
Comprimento: 3,75 m.
Altura: 0,60 m.
Distância entre eixos: 2,25 m.
Bitola dianteira: 1,32 m.
Motor: FNM/JK 1.975cc.
Cambio: ZF - 4 marchas
Suspensão independente nas quatro rodas.
Suspensão dianteira: 1 mola e 1 amortecedor por roda.
Suspensão traseira: 2 molas e 2 amortecedores por roda.
Freios: A tambor, hidráulicos.
Tanques: 2 laterais, 30 litros cada.
Peso Total "tanqueado": 580 Kg.
Bitola traseira: 1,30m.

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