Uma visão dos nossos históricos anos sessenta e um pouco antes

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Pioneiros:
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Norberto Jung Villafranca            

Página acrescentada em 09 de abril de 2005.
 
Paschoal Nastromagario
por Paulo Roberto Peralta
Peralta e Paschoal/2005

Nasceu em 28 de novembro de 1935 no bairro do Brás em São Paulo, com 1 ano de idade sua família mudou-se para o Rio de Janeiro onde passou a infância, aos 11 foi ao Circuito da Gávea com seu pai assistir uma corrida pela primeira vez, foi o suficiente para pegar o vírus da velocidade. De volta à São Paulo em 1954, foi morar no bairro de Higienópolis, bairro onde mora até hoje. Seu pai tinha uma transportadora (Expedidora de Transportes) mas começou a trabalhar no Banco Paulicéia, aos 19 anos,e fez carreira meteórica: em 3 anos já era gerente, o mais novo do Brasil, saiu em 1958 quando o Banco fechou.

MG TD Mod. 1952

Logo que entrou para o banco comprou um MG TD ano 52, 1250cc. e levou-o à oficina de Cláudio Daniel Rodrigues, um "expert" na marca. Pouco tempo depois já estreava numa prova em Interlagos/SP, com apoio e orientação do Cláudio, diz que ganhou na categoria Esporte até 1500cc. e na geral acha que foi o 3° classificado.
Começou a treinar regularmente em Interlagos/SP e a freqüentar as oficinas, foi criando amizade com os grandes da época em especial Celso Lara Barbéris.

Estréia da Ferrari/Corvette - junho/58

Em 1957 vendeu o MG e comprou uma Ferrari monoposto ano 52, sem motor e cambio, e a levou à oficina de Vitor Losacco que o aconselhou a montar da marca Corvette. Feito isso, em 58 inscreveu-se numa prova e foi 9° colocado, depois no 500 Kilometros de Interlagos (SP) conseguiu um 4° lugar, e ainda em 58 participou do I Torneio Triangular Sul-Americano, com corredores do Brasil, Argentina e Uruguai e corridas nos três países, sendo que a primeira, no Brasil, foi vencida por Froilan Gonzalez (AR) e ele em 3° lugar. Na corrida de Buenos Aires teve problemas com os tambores de freio dianteiros de seu carro, no que foi socorrido por Juan Manoel Fangio que lhe emprestou todo o conjunto de freios, desmontado de um carro seu que ia para o museu. Nessa época, Fangio que admirava seu estilo de pilotagem muito agressivo, lhe aconselhou: entre ser um piloto rápido e técnico ou ser um piloto rápido e agressivo, escolha a primeira opção pois na Europa valorizam muito esses pilotos. Havia a possibilidade dele ir correr na Europa em 59, fato esse que por problemas de saúde de seu pai, não se concretizou.
Teve apenas três carros de corrida: O MG TD 52, o Mecânica Nacional Ferrari/Corvette e o Ferrari 750 Monza da categoria esporte, que posteriormente foi vendido para Roberto Gallucci.

Ferrari 750 Monza em 1959

Em 59 correu a IV Mil Milhas pela primeira e única vez com um carro nacional, um DKW da equipe extra-oficial da Vemag, ela seria oficializada no ano seguinte, nesta prova devido ao intenso nevoeiro que se abateu ele pediu ao chefe de equipe, Jorge Lettry, para assumir o volante pois conhecia Interlagos (SP) como a palma da mão, estavam então em 23° lugar. Diz ele que ao final da neblina estavam em 4° lugar, mas ai as carreteiras "vieram pra cima" e eles caíram para o 6° lugar na classificação final.
Sua carreira automobilística foi curta, pois também gostava, e muito, de mergulho e motonáutica, e dividia seu tempo entre os esportes.
Guarda ainda vários troféus de motonáutica, além de muitos quadros com fotos do automobilismo.
No dia em que Celso Lara Barberis sofreu acidente na prova 500 Km de 63, ajudando no socorro ele assistiu a morte do amigo e tomou a decisão de não participar mais de corridas. (veja abaixo)
Praticava automobilismo amadoramente, por prazer, e se afastando das corridas continuou ligado aos automóveis: teve loja de automóveis, loja de auto-peças e estacionamento, até mesmo por influencia do automobilismo. Após sua última corrida de Mecânica Nacional a Ferrari/Corvette foi vendida para um piloto que era comandante da Varig e que havia trazido, na bagagem, o cambio Corvette para ele.
Paschoal faleceu na madrugada do dia 27 de maio de 2006 aos 70 e poucos anos de idade, deixou além da esposa, uma filha e mais outra filha de seu primeiro casamento.

Torneio Triangular Sul-Americano
Brasil Argentina Uruguai
Danvilla/Froilan Gonzalez/Nastromagario Autodr. Costaneva Norte - Circuito misto 2 Ferrari/Corvette - Prova de El Pinar/59

Principais participações em provas (com a colaboração de Napoleão Ribeiro)

07/04/1957 - Prova Cinqüentenário do ACB -
Interlagos/SP - Sport e Mec. Nac. - MG TD 1.250cc - 14º na geral e 4º na Sport-2.0
22/06/1958 - I GP do Cinqüentenário da Imigração Japonesa - Interlagos/SP - Mec. Nac. - Ferrari/Corvette 4.500cc n° 45 - 9º na geral e 8º na MN
07/09/1958 - II 500 Quilômetros de Interlagos/SP - Ferrari/Corvette 4.500cc n° 77 - MC -
4º Lugar
30/11/1958 - I Torneio Triangular Sulamericano - Interlagos/SP - Ferrari/Corvette 4.500cc n° 88 - MC - 3º Lugar
22/02/1959 - I Torneio Triangular Sulamericano - Autódromo de “El Pinar” - Montevideo/Uruguai - Ferrari/Corvette 4.500cc n° 88 -
MC - 8º Lugar
01/03/1959 - I Torneio Triangular Sulamericano - Autodr. Costaneva Norte - Buenos Aires/ARG - Ferrari/Corvette 4.500cc n° 88 -
3º Lugar  (foi usado o circuito misto 2)
30/05/1959 - I Prova Pedro Santa Lúcia - Interlagos/SP - Ferrari 750 Monza 2.999cc n° 8 -
3º na geral e 3º na Sport+ 2.0
21/11/1959 - IV Mil Milhas Brasileiras - Interlagos/SP - Com Eduardo Pacheco - DKW Vemag 981cc n° 60 - TFL - 6° Lugar
23/04/1960 - I G. P. Juscelino Kubitschek - Eixo Rodoviário Sul - Brasília/DF - Ferrari/Corvette 4.500cc n° 88 -
MN - AB
(corrida realizada junto com a categoria Esporte)
15/01/1961 - III Torneio Sulamericano - Interlagos/SP - Ferrari/Corvette 4.500cc n° 88 - MC  - AB

    

No livro "Interlagos/SP de 1940 a 1980" de Paulo Scali, na seção de depoimentos tem um que chama a atenção e que fala do acidente de Celso Lara Barberis em 1963, na prova 500 Kilometros de Interlagos/SP, o do piloto Paschoal Nastromagario:
"-... eu não tinha mais um carro Mecânica Nacional, fiquei nos boxes com Chico Landi,... Vimos do box uma enorme poeira... saiu em disparada a ambulância...corremos ajudar os enfermeiros, pois o Celso estava desacordado... deitado na mesa com o peito estufado como se fosse um halterofilista. De repente, acordou, nos olhou com os olhos arregalados e deu seu último suspiro. Fiquei atordoado, e o Chico a meu lado chorando muito. No seu triste velório, pensei: - Para mim chega, acabou a graça. - E, assim sendo, nunca mais pisei em Interlagos."


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