Um pouco das lendas e das histórias do automobilismo dos anos sessenta
 

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Circuito de Itapecerica (SP)
26 de julho de 1908
 
 

Em  novembro de 1891 chegou ao Brasil o primeiro automóvel com motor a combustão interna, veio por iniciativa de um jovem de 18 anos chamado Alberto Santos Dumont que retornava de uma viagem à França com a família para onde o pai havia ido em tratamento de saúde (ver detalhes clicando aqui). Era um Peugeot Type 3 com motor Daimler à gasolina de dois cilindros em V, com 565 cc.

Em 1894 foi organizada na França a primeira competição de automóveis do mundo. Podia participar qualquer automóvel, de combustão interna ou a vapor, desde que sem ajuda animal para se movimentar.
Promovida pela revista parisiense “Le Petit Journal”, entre Paris e Rouen, foi um teste de confiabilidade para determinar o melhor desempenho, foi chamada na época de “Concours des Voitures sans Chevaux” (Competição de Carros sem Cavalos). Clique aqui e veja site com a história e  fotos da época). Muitos e variados carros participaram da corrida de 50km.

Foto de um carro carro Peugeot Type 3
igual ao de Santos Dumont

Carro Peugeot Type 3 exposto no
"Musée de l'Aventure Peugeot" em Sochaux (FR)

Capa da revista "Le Petit Journal" que organizou a primeira corrida do mundo

O Commercio de S.Paulo - 15/12/1902

O Commercio de S.Paulo - 14/12/1902

A partir de 1902 quando já havia uma meia dúzia de carros em São Paulo começaram a acontecer “pegas” entre “cavalheiros” ao volante de suas máquinas pelas ruas da cidade e as autoridades reprimiam pelo risco que ofereciam à população, então esses "automobilistas" passaram a procurar os hipódromos para essas "brincadeiras".

O automobilismo no Brasil tem poucos registros, mas em 1902 aconteceu uma corrida “não oficial” de carros no Hipódromo Paulistano da Mooca, que é considerada a primeira corrida do Brasil., foi disputada por três cavalheiros:
“Realizou-se no Hipódromo Paulistano (Jóquei Club da Rua da Mooca) um emocionante páreo de automóveis, no qual tomaram parte as máquinas dos senhores E. C. Bueno, José Paulino e A. Morelli, pilotadas pelos mesmos senhores, cabendo a vitória ao automóvel do Sr. José Paulino. É o primeiro páreo de automóvel que se realiza no Brasil”. - Revista Sportman (26/12/1902)

Correio Paulistano (SP) - 26/07/1908

A Imprensa (RJ) - 27/07/1908

Só em 1908 o recém-fundado Automóvel Club de São Paulo promoveu a primeira corrida “oficial” de automóveis no Brasil, o “Circuito de Itapecerica”, e como a imprensa da época se referia erroneamente como sendo a primeira corrida de automóveis da América do Sul, isso influenciou muitos pesquisadores e ainda hoje alguns dão à ela essa primazia.
Um livro, muito bom, lançado em 1988 pelo jornalista e pesquisador Vergniaud Calazans Gonçalves conta a história dessa prova, mas foi titulado, vitima desses jornais, como “A primeira corrida da América do Sul” e desde vem então influenciando “um monte” de pesquisadores, principalmente os de iPhone que vão dessa forma perpetuando o erro.

Realmente foi em 1906 que aconteceu a primeira corrida “oficial” de carros na América Latina, e não foi no Brasil:
“A primeira corrida oficial da América do Sul, foi realizada em Buenos Aires, organizada pelo “Automóvil Club Argentino” em 9 de dezembro de 1906, com largada no bairro Recoleta e chegada no hotel El Tigre, contando com cerca de 15 participantes. O vencedor foi Miguel A. Marín com um Darracq de 20HP, o segundo foi Francisco Radé com um Dietrich de 24-32 HP.” (marcric.wordpress.com)
Ver também:
www.laautenticadefensa.net/126280 

Em 1908, Washington Luís Pereira de Souza era o Secretário da Justiça e Segurança Publica do Estado de São Paulo, tinha 38 anos e era um entusiasta do automóvel. Aos domingos, acompanhado da esposa, fazia passeios pelos arredores da cidade com seu automóvel.
Num desses passeios Washington Luís chegou a Santo Amaro, depois seguiu pelas estradas de Itapecerica (que ainda não era “da Serra”) e M’Boy (Embu), voltando à São Paulo pela Vila dos Pinheiros.
“Era essa a situação quando o dr. Washington Luís, vencendo colossais dificuldades, sem se preocupar com o péssimo estado das estradas em consequência de abundantes chuvas, fez o denominado Circuito de Itapecerica. Ficou, então, toda a gente sabendo que às portas da cidade existia uma excelente estrada, com setenta e tantos quilômetros de extensão, trafegáveis por automóveis ou quaisquer outros veículos, logo que cessasse a chamada época das chuvas, e mediante alguns consertos e reparos.” - O Estado de S.Paulo

Edif. Martinico

O Automóvel Club de São Paulo, mesmo antes de sua fundação já se reunia provisoriamente nas sala do Edifício Martinico e logo seus sócios quiseram saber detalhes de Washington Luís com vistas a organizar uma corrida. Depois dos relatos acharam que seria o percurso ideal e Washington Luís ainda conseguiu cooperação do prefeito e do secretário da Agricultura no sentido de melhoras as vias do circuito. Isso era principio de junho.

Em 11 de junho foi fundado o Automóvel Club de São Paulo, em assembléia realizada no Edifício Martinico, sua primeira sede foi no Palacete Prates, demolido nos anos 50 para dar lugar ao edifício Conde Prates, na cabeceira do Viaduto do Chá. Entre as finalidades do Club estavam: “... organizar concursos de automóveis, corridas, e em geral quaisquer certames que animem o desenvolvimento do automobilismo”.
Já no dia seguinte à fundação, Antônio Prado Junior, Sylvio Penteado e Clovis Glicério, que faziam parte do comitê designado para organizar a corrida, fixaram as normas da competição que foi marcada para 14 de julho em homenagem à França, berço do automobilismo.
Mas foi em 26 de julho, que o recém-fundado clube realizou a primeira corrida “oficial” de automóveis e motocicletas do Brasil, o “Circuito de Itapecerica”. Os competidores deveriam, saindo do Parque Antártica, ir à cidade de Itapecerica e retornar ao Parque Antártica, em São Paulo, ponto de partida e chegada da prova. O percurso tinha aproximadamente 75 km de extensão e contou com a participação de 3 motocicletas e 16 automóveis, divididos nas 5 categorias.

Achei interessante colocar recortes de jornais da época para que os leitores possam ter idéia do entusiasmo da população e da atenção que a mídia impressa dava ao evento, além de tomar contato com a ortografia da época.

Correio Paulistano (SP) - 17/05/1908 Correio Paulistano (SP) - 19/06/1908 O Paiz (RJ) - 20/06/1908

Com as inscrições já encerradas, o Automóvel Club recebeu um telegrama no dia 1 de julho do dr. Aarão Reis, presidente do Automóvel Club do Brasil, do Rio de Janeiro, solicitando o adiamento da corrida para tornar possível a vinda do ministro da Viação que no dia 14 estaria na inauguração de uma exposição nacional comemorativa do centenários da abertura dos portos às nações amigas.

Várias pessoas percorriam o Circuito apenas para conhecer, mas algumas autoridades e/ou corredores iam para verificar suas condições:

O Paiz (RJ) - 02/07/1908

Correio Paulistano (SP) - 02/07/1908

O Paiz (RJ) - 20/07/1908

Aviso publicado em jornais na véspera pelo Automóvel Club de São Paulo

Correio Paulistano (SP) - 24/07/1908

O Conde de Lesdain, francês, havia acabado de realizar a primeira viagem de automóvel entre o Rio de Janeiro e São Paulo e chegado no bairro Alto da Penha no dia 11 de abril após 36 dias de viagem. Ele logo se engajou nos preparativos para o Circuito de Itapecerica, chegando mesmo a se inscrever com o Brasier, carro com que havia realizado a viagem, mas...

1908_07_06 - A Imprensa (RJ) - 06/07/1908

O Paiz (RJ) - 26/07/1908

Correio Paulistano SP) - 06/07/1908

Com o Brasier inutilizado para a corrida foi-lhe cedido um carro Herald, francês, mas o Conde quebrou uma roda ao bater violentamente contra um pilar no portão de entrada do Parque Antártica no dia da prova, ferindo-se levemente no maxilar. Não largou para a corrida.

Jornal carioca explicando detalhes da prova

Jornal do Brasil (RJ) - 22/07/1908
 

Reportagem publicada na véspera da corrida, com histórico, lista de inscritos, percurso e outras informações


Só em 30 de novembro de 1944 Itapecerica teve o nome mudado para Itapecerica da Serra
para diferenciar de sua homônima em Minas Gerais.


Correio Paulistano (SP) - 26/07/1908
 



Mapa do circuito publicado no livro de Vergniaud Calazans Gonçalves

O circuito escolhido tinha saída e chegada no Parque Antártica, de lá os concorrentes deviam seguir pela Avenida Antártica (atual Av. Francisco Matarazzo) e virar à direita na Rua Tabor (atual Rua Cardoso de Almeida) até chegarem à Rua Cerqueira Cesar (atual Rua Teodoro Sampaio) onde dobravam à direita, passando pelo Mercado dos Caipiras (atual Mercado de Pinheiros), depois atravessavam a ponte de Pinheiros em direção ao Embu e, virando à esquerda, chegavam a Itapecerica (que ainda não era “da Serra”). Depois de atravessarem novamente o Rio Pinheiros, os competidores dobravam à esquerda na direção de Santo Amaro, seguiam pelo Caminho de Santo Amaro (atual Av. Brigadeiro Luís Antônio, dobravam à esquerda entrando na Av. Paulista onde seguiam até a Av. Municipal (atual Av. Dr. Arnaldo), Rua Tabor (atual Rua Cardoso de Almeida) e Avenida Antártica chegando novamente ao Parque Antártica depois de terem percorrido aproximadamente 75 quilômetros

Transcrição, na ortografia da época, de matéria publicada pelo O Estado de S.Paulo no dia seguinte à grande corrida:

“Ao partir o primeiro automóvel, às 12:55 da tarde, annunviuo-se-nos o coração, ficamos apprehensivos, como que a interrogar o futuro.
Já o conde Lesdain, o arrojado automobilista que há poucos dias se contundira gravemente na Barra Funda, tinha inutilizado a sua machina, ferindo-se ligeiramente no lábio inferior.
Ao entrar no Parque, às 11:12 horas da manhã, foi a machina de encontro a um pilar do portão, por não ter funcionado o único break que possuía.
O que iria suceder? Voltariam o primeiro que partira e todos os outros, ou ficariam alguns pelo caminho... por essa vasta e accidentada estrada de 75 kilometros de extensão?
Certo, porém, era o tempo para refletirmos.
Mal transpunha um concorrente o portão do Parque, levantando turbilhões de poeira, já outro se approxima dos juízes de partida. E assim distraída a nossa attenção, presenciámos a partida e também a chegada do ultimo inscripto, o sr. F. Nielsen, em motocycleta, sem que (com grande satisfação registramos) tivesse havido o mínimo accidente digno de nota.
Mal transpuzera o portão do Parque o ultimo concorrente, apresenta-se deante da archibancada um (ilegível) pelo telefone tinham próprio informado que acabava de chegar à avenida Paulista o primeiro corredor.
Ouvem-se toque de sentido, os mesmos que minutos antes avisavam das partidas.Era o sr. Jorge Haentjens que entrava no Parque, sob as acclamações e palmas, 1 hora, 31’ e 55”, depois de haver partido dahi.
Depois do sr. Haentjens partiram sucessivamente os srs. Gastão de Almeida (Rio), R. Villela, Sylvio Penteado e O. Sampaio (S. Paulo), inscriptos na categoria D, automóveis de 40 H.P.
O primeiro a chegar, apezar de ter saído em terceiro lugar, foi o sr. Sylvio Penteado, tendo feito todo o circuito em sua “Fiat” no extraordinário tempo de 1 hora, 30 minutos e 5 segundos, vencendo em primeiro logar na sua categoria e batendo ainda, por um minuto e 50 segundos o tempo feito pela “Dietrich” de 70 H.P.
Ao chegar defronte das archibancadas o sr. Sylvio Penteado foi recebido por prolongada salva de palmas, sendo vivamente felicitado.
Chegou em segundo logar na categoria de 40 H.P. o sr Gastão de Almeida, que ao descer a rua Thabor, perdeu o depósito de gasolina o que trouxe como consequência um atraso de 27 minutos sobre o sr. Sylvio Penteado.
Aliás, ainda mesmo que não tivesse sobrevindo esse desarranjo é de presumir que o sr. Penteado fosse o vencedor pois, passára em Santo Amaro com uma vantagem de 5 minutos sobre o sr. Gastão de Almeida.
Em terceiro logar chegou o sr. Oswaldo Sampaio com o percurso de 2 horas, 41 ms. e 54 s.
Na categoria C venceu em primeiro logar em 1 h. 45 ms. 4 s. o sr J. Laport em uma “Renaul” de 24 H.P. seguindo-se-lhes o sr. Dr. Paulo Prado, em 1 h. 5 ms. 53 s., o sr. Alipio Borba em 2 hs. 5 ms.53 s., e L. Moraes em 2 hs. 38 ms. 22 s.
Na categoria B, venceu brilhantemente o sr. Antonio Prado Junior, na sua “Delage” 8-9 H.P. em 2 h. 48s.
Em segundo e terceiro logares chegaram os srs. Olivieri e José Prates, ambos em “Lyon Peugeot” 8-9 H.P., o primeiro em 2 horas 5 min. 15 s. e o segundo em 2 hs. 30 ms. 33 s.
Na categoria A, motocycletas, venceu em primeiro logar o sr. F. Nielsen em 1 h. 54 ms. 48 s. e o sr. Procopio Ferraz em 2 hs. 42 ms.
Até as 5 horas da tarde não tinham voltado ao Parque Antarctica os srs. R. Villela e B. Fulvio.
O sr. Fulvio, a meio caminho, tinha partida uma peça importante da machina ficando assim impossibilitado de continuar a corrida.
O sr. R. Villela por três vezes foi victima de accidentes na sua machina, que ocasionaram a sua desclassificação na corrida.
Primeiramente partiu-se uma peça de “chaugement de vitesse”; hoje, pela manhã, ao chegar no Parque, partiu-se a bomba de distribuição de óleo, sem a qual foi correr, a meio caminho bateu com uma das rodas sobre uma pedra, ficando inutilizada uma das “jantes”.
Na categoria B, não correu o sr Luiz Prado, que num virage, quando se dirigia para a Antarctica, deu com as rodas de traz sobre as guias de uma calçada, devido a derapage violenta sobre os trilhos do bonde.
Desde o Parque Antarctica até o fecho do circuito, na rua Cerqueira Cesar, uma multidão colossal estacionava pelas ruas, applaudindo freneticamente os concorrentes à sua passagem; em M’Boy, ergueram arcos na estrada; em S. Amaro atiravam flores sobre os automobilistas que, por toda a parte foram recebidos com acclamações.
Em toda a extensa avenida Paulista via-se de cada lado uma fila compacta de povo.
Nas esquinas e em toda a avenida, destacavam-se, perfilados, os briosos e disciplinados soldados da nossa policia.
De tempos a tempos essa multidão era despertada por um toque de corneta: era um concorrente que avançava velozmente, deixando atraz de si, admirados e enthusiasmados, os espectadores.
Como vêm nossos leitores, bem razão tínhamos no começo destas notas quando afirmamos que a grande corrida de automóveis havia sido um sucesso.
Effectivamente não houve uma só nota dissonante nesse acontecimento sportivo que trouxe preoccupado, por algumas horas, o espirito desta população.
A dois factos attribuimos esse excepcional êxito: primeiro, ao notável e memorável serviço da nossa policia; segundo, à rigorosa ordem observada na partida dos concorrentes.
Ao dr. Washington Luiz, como organizador do bello serviço policial que presenciamos, nos seus dignos auxiliares drs. Ascanio de Cerqueira, Arthur Rudge, João Monteiro da Camara Lopes e Mario Cardim, aos officiaes e praças da policia, apresentamos as nossas sinceras felicitações.
Realmente é extraordinário que nesse movimento excepcional de bondes, carros e automóveis particulares, massa popular e concorrentes à grande corrida, não tivesse havido um único facto desagradável a assignalar.
Isso foi devido, folgamos mais uma vez em reconhecer, ao optimo serviço de policiamento.
- A directoria do Automovel Club de Sãso Paulo, receiosa de que houvesse algum desastre na estrada dirigiu-se ao distincto facultativo dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, solicitando de s. s. seu valioso auxilio na organização de uma ambulância para prestar socorros em casos de necessidade.
S. s. gentilmente accedeu a essa solicitação confiando aos hábeis cirurgiões drs. Antônio Candido de Camargo e Luiz do Rego essa incumbência.
O dr. Antônio de Camargo estacionou em M’Boy, em companhia dos srs. Comendador Alberto de Souza, mordomo da Santa Casa, Armando Pederneiras e dr. Manoel Martins Erichsen.
O dr. Luiz do Rego ficou em Itapecerica, em companhia dos srs. Jorge Miranda, Ibanes Salles e Francisco F. Leão Neto.
As ambulâncias foram preparadas pela Santa Casa de Misericórdia.
Em Santo Amaro o serviço de ambulância ficou a cargo dos clínicos do logar.
Além dessas ambulâncias esteve de pronptidão a ambulância da policia, tendo também estacionado na estrada com seu automóvel transformado em ambulância o dr. Desiderio Stapler em companhia de sua exma. senhora.
- Em seu palácio, em Hygienopolis, o conde Alvares Penteado offereceu um banquete aos directores do Automóvel Club Brasil.
À mesa, lindamente ornamentada, sentaram-se os convidados na seguinte ordem: condessa Alvares Penteado, dr. Aarão Reis, mme. Eglantina Penteado Prado, Luiz Moraes, Antonio Prado Junior, Caio Prado, Luiz Fonseca, Numa de Oliveira, dr. Hervani Pinto, conde Alvares Penteado, José Paulino Nogueira Filho, dr. Clovis Glycerio, Sylvio Penteado, G. G. Alexandersone e dr. Washington Reis.
Ao champagne o conde Penteado brindou ao Automovel Club do Brasil na pessoa do seu digno presidente dr. Aarão Reis, agradecendo o valioso concurso que esse club veio prestar à corrida organizada pelo Automovel Club de S.Paulo e fazendo votos pela sua prosperidade.
O dr. Aarão Reis, agradecendo, declarou sentir-se feliz por ter tido a opportunidade de prestar no Automovel Club do Brasil, de que é presidente, o seu concurso na sua grande festa inaugural e que empenharia todo o seu esforço para que as relações entre os dois clubs se estreitassem cada vez mais, no interesse do desenvolvimento do automobilismo.
O 1º secretario do A.C.S.P., sr. Numa de Oliveira, brindou ao dr. Washington Luiz, felicitando a s. exa. pelo excepcional serviço de policiamento a que se devia em magna parte o êxito da corrida.
O dr. Washington Luiz, respondendo a essa saudação, brindou o grande vencedor do Circuito de Itapecerica, sr. Sylvio Penteado.
- Hontem, às 6:42 horas da tarde, a directoria do Automvel Club de S.|Paulo composta dos srs. Conde Alvares Penteado, conde de Prates, dr. Ramos de Azevedo, José Paulino Nogueira, Numa de Oliveira, dr Clovis Glicerio e Luiz Fonseca, offereceram, na Rotisserie Sportmam um banquete aos srs. Dr. Washington Luiz, dr. Aarão Reis, Aarão Reis Filho, Gastão de Almeida, J. Laport, J. Haentjens, F. Otto, dr, Paulo Prado, Plinio Prado, Edgard Conceição, Luiz Moraes, dr. Hernaut Pinto, F. Gama Junior, G.G. Alexanderson, capitão de mar e guerra José Carlos de Carvalho, Sylvio Penteado, Alipio Borba, Oswaldo Sampaio, José Prates e Mario Cardim.
- Aos vencedores de todas as categorias, exceptuados os das letras C e D (automóveis de 40 a 24 H..) serão offerecidas medalhas de ouro.
Os vencedores da categorias C e D receberão as respectivas taças chalanges instituídas pelo sr. Sylvio Penteado.
A taça da categoria D, foi ganha pelo sr. Sylvio Penteado e da categoria C, pelo sr. J. Laport, do Rio de Janeiro.
Além desses prêmios conquistou também o sr. Laport, por ter feito na sua categoria, o menor tempo entre S. Paulo e Santo Amaro, o premio offerecido pela Camara Municipal daquella villa é constante de duas ricas fruteiras de prata.
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Do nosso correspondente:
S. Paulo, 27 - Os automobilistas que aqui disputaram a prova do circuito de Itapecerica aproveitaram o dia de hoje para várias visitas.
À noite, foi servido um banquete na Rotisserie Sportman.
Foram então erguidos vários brindes de reciproca amizade entre os sócios dos dois clubs, o esta capital e o do Rio.
Nesses brindes, foram salientados os esforços dos secretários da justiça e da agricultura e do prefeito, para o êxito do raid.
O dr. Aarão Reis ergueu a saudação de honra, endereçado ao governo paulista.
Depois, em bonde da linha Ypiranga, acompanhados de muitos automóveis, os automobilistas passearam pela cidade, seguindo todos,após para a estação do Norte.
Ao tomarem o trem que os reconduziu a essa capital, o dr. Aarão Reis e os automobilistas cariocas foram muitos acclamados, erguendo-se enthusiasticos vivas pela prosperidade dos dois clubs.” - O Estado de S.Paulo (SP) - 27/07/1908

Correio Paulistano (SP)27/07/1908
 

Sylvio Álvares Penteado tinha completado 27 anos na véspera da corrida, nasceu em 25/07/1881 na Fazenda Palmares, em Araras (SP)
Livro de Vergniaud Calazans Gonçalves
 

Montagem com fotos da prova feita pela Revista Careta (RJ) - 01/08/1908
 

Revista da Semana (RJ) - 02/08/1908
 

Revista Fon Fon (RJ) - 22/08/1908

Trecho onde as vias eram comuns para a largada e chegada

Revista O Malho (RJ) - 22/08/1908
 

Renault de Jordano Laport

Fiat de Sylvio Penteado

Sylvio Penteado

Trechos  do Circuito de Itapecerica - Livro de Vergniaud Calazans Gonçalves

Taça ganha por Sylvio Penteado

Fotograma do documentário realizado por G. Serracino e Antonio Leal mostrando a chegada de Sylvio Penteado com seu Fiat
Livro de Vergniaud Calazans Gonçalves
 

Correio Paulistano (SP) - 28/07/1908

Acrescentada dia 01 de fevereiro de 2019
 
 

 


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