José dos Santos Martins
Junior, mais conhecido como Zé Martins, o "dentista", nasceu em
1941 na cidade de Bauru, onde cresceu e estudou, no Colégio São
José, depois foi para a FOB.
Ele se formou na primeira turma de odontologia da Faculdade de
Odontologia de Bauru (FOB-USP), em 1965 (a FOB foi fundada em
1962 como Faculdade de Farmácia e Odontologia de Bauru, e depois
incorporada à USP).
Seu nome aparece em atividades clínicas iniciais no Grupo
Escolar “Silvério São João”, cujo prédio incompleto era usado
para treinamento prático dos alunos da faculdade.
Os formandos de 1965 tiveram a Missa de Formatura na Igreja
Santa Terezinha (Bauru) em janeiro de 1966.
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1966 - A
tradicional foto dos formandos |
1966 - Jogral
apresentado por formandos |
Como muitos profissionais da época ele
também deve ter se mudado para São
Paulo e aberto consultório particular na região de Pinheiros
que era um bairro em ascensão nos anos 60/70, com boa
infra-estrutura e proximidade ás regiões centrais o que atraía
profissionais liberais para instalar clínicas na região.
Lá em Bauru ele talvez já devia gostar de corridas de automóveis
e como em quase todas cidades do interior lá deviam também haver "rachas",
mas não há informação nenhuma sobre ele participar desses
“rachas”.
Não consegui a data do casamento, nem do local, e nem o nome da
esposa, só descobri que teve um filho, o Rodrigo, que escreveu no blog “Puma Classic”.
Mas José Martins contou no site www.pumaclassic.com.br, em 2009,
como foi aqui em São Paulo onde acabou se tornando um "gentlemen
driver", profissional que conciliava a profissão liberal com o
automobilismo amador, abaixo a transcrição:
"- Minha história
com carros de corrida é modesta, movida mais pela paixão pela
mecânica com carros tais como Puma, Jeep, Autos Antigos...
Tendo adquirido um Puma 68, começou meu contato com o pessoal da
Comercial MM, e o interesse por corridas, acabei tornando-me
"rato de oficina". Lá ia eu com minha Kombi de ajudante de
mecânico voluntário, com os mecânicos Zereu, Alberto,
Miguelzinho...sob a supervisão do Milton Masteguin e do Crispim.
Por volta de 1970, a Comercial MM mostrou interesse em vender o
Puma 48 (pilotado por Angi Munhoz e Fredy Giorgi) e fizemos um
rolo com o Puma que eu tinha.
Dai começa a minha aventura como piloto e mecânico desse carro.
Bons tempos.Um pouco de história. Abraços José Martins "Josamar".
O Puma foi montado na Comercial MM para Angi Munhoz em 1968,
que em provas longas fazia dupla com Freddy Giorgi, depois foi
vendido para o "Zé Martins", o “dentista”, em 1970. Ele manteve
a pintura e o numeral com que o Angi sempre correu: #48.
No ambiente do automobilismo, além de ser chamado de "dentista",
por motivos óbvios, também ganhou o apelido de "Josamar" e "Zé
Martins".
Zé Martins era ajudado pelo
mecânico e preparador Alberto Carvalhaes, que tinha oficina em
Pinheiros, na Rua Cláudio Soares.
Sua estréia nas pistas foi no “Torneio União e Disciplina”, no
dia 20 de junho de 1971 com o Puma, em Interlagos, prova
organizada pelo Automóvel Clube do Estado de São Paulo. A prova
para estreantes e novatos consistia de duas baterias de 5 voltas
cada, com resultado final apurado pela soma de tempos. José
Martins Junior, que havia comprado o Puma do piracicabano Angi
Munhoz, venceu as duas baterias com extrema facilidade.
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1971 -
Torneio União e Disciplina |
1971 -
Festival de Motores - Disputa com Lorena |
Festival
de Motores - Pouco antes de abandonar |
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Sua segunda participação foi
um mês depois (25/07) no “Festival de Motores”, com corridas de
Motocicletas, Karts e Automóveis, sendo a última para estreantes
e novatos, prova em duas baterias, Zé Martins venceu a primeira
numa disputa com o Lorena de Jacob Kourouzan que ficou em
segundo lugar. Na segunda bateria Zé Martins abandonou a prova
por problemas mecânicos no Puma, logo nas primeiras voltas, mas
seu adversário também abandonou a prova permitindo uma vitória
tranquila para José Maldonado.
A prova seguinte, em
05/09/1971, a "IV Uma Hora de Calouros" em Interlagos, ele se
inscreveu, mas não participou.
José Martins somente disputou provas de Estreantes e Novatos nos
anos de 1971 e 1972, na Divisão 3 (carros de Turismo
modificados) e Div-2 (carros GT) que normalmente corriam juntas,
mas com resultados separados (havia uma classificação geral e
outra por categoria).
No mês de março/1971,
Aguinaldo Góes assumiu a presidência da Comissão Esportiva da
Federação Paulista de Automobilismo e lançou o projeto de um
Festival de Estreantes e Novatos, composto por cinco etapas, com
os participantes recebendo todas as facilidades de preparação
dos seus carros. A idéia era trazer novos pilotos para as pistas
de corrida e desmotivar a partição desses jovens nos pegas que
eram comuns nas ruas da cidade.
A primeira etapa do "Festival
de Estreantes e Novatos" (16/04/72) marcou mais uma vitória de
Zé Martins e seu Puma nº 48.
Aguinaldo, como Diretor Desportivo da FASP, realizou o "Festival
de Ronco e Motores" em Interlagos no dia 30 de abril de 1972,
tendo a segunda etapa do "Festival de Estreantes e Novatos"
como preliminar, a prova dos pilotos Novatos com carros da Div.3+1.6
e carros GT teve como vencedor José Martins Jr. pilotando o
Puma. nº 48.
A terceira etapa do "Festival de Estreantes e Novatos"
(07/05/1972) novamente marcou a vitória de Zé Martins e seu Puma
nº 48.
No dia 14 de maio/72 foi realizado um evento automobilístico em
Interlagos que recebeu o nome de “Corrida dos Campeões”. O
evento, organizada pela Federação Paulista de Automobilismo foi
precedida por uma prova para Estreantes, outra para Novatos,
ambas valendo para a 4ª Etapa do Festival de Estreantes e
Novatos. A prova de Div.3 teve Zé Martins como vencedor.
A prova final foi em 27 de maio e novamente teve Zé Martins como
vencedor.
A classificação do campeonato na categoria Novatos – Divisão 3 –
Puma VW:
José Martins Júnior - 40 pontos; 2º Marcelo Malzone - 20 pontos;
3º Sérgio Franco Silva - 14 pontos
Na reunião para entrega os prêmios, quase uma centena de jovens
(e seus pais), o aplaudiram de pé num gesto de reconhecimento,
tal foi o sucesso do Festival.
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1972
-Copa Independência - Pinhais (PR) |
Um mês depois foi realizada a
Copa Independência para Estreantes e Novatos no Autódromo de
Pinhais, em Curitiba (PR).
Nesse torneio Martins travou acirrada disputa com Luiz Teleco
Veiga também com Puma, ambos obtiveram três vitórias e três
segundos lugares, terminando o torneio empatados com 45 pontos
cada um, ficando o terceiro (também com Puma) com apenas 11
pontos.
Encerrando o ano foi
realizada a "Cem Milhas de Interlagos" que teve provas
preliminares para Estreante e Novatos. A prova para novatos com
carros GT e Turismo Div. 3+1.6, foi vencida, como vinha se
tornando rotina, por Zé Martins Júnior no seu Puma nº 48.
E essa acabou sendo sua ultima corrida. não abandonou
completamente o automobilismo, mas nunca mais correu.
No mesmo site citado acima (www.pumaclassic.com.br), o Rodrigo,
filho de Zé Martins, contou o fim do Puma do pai:
"- As fotos
são do meu pai correndo ... A carroceria de corrida foi
substituída por uma de rua e vendida (a
carroceria) para
uma pessoa, que eu não sei quem era, que morreu em um acidente,
no Puma que recebeu essa carroceria Espartana. O autódromo (das
fotos) era a
antiga pista de Interlagos, mas ele também correu no sul. O
piloto era José dos Santos Martins Júnior, meu pai, ainda vivo."
Rodrigo F. Martins
Esse foi um dos três Puma Espartano que se perdeu em acidentes (Blog:
Puma Classic.)
O modelo Espartano começou desde o tempo dos DKW/Malzoni,
seguindo nos Puma GT VW. A especificação "Espartano" designava o
carro feito para corridas, bem mais leve, por ter a fibra mais
fina, além de outras diferenças.
A pedido dos pilotos, a Puma modificou a traseira do GTE,
tornando o capô maior para fácil acesso em todas as partes,
principalmente os carburadores. Com isso, o vigia ficou menor e
as colunas laterais traseira formavam um desenho parecendo um
defletor aerodinâmico, para não perder as linhas do carro. Esse
modelo fabricado entre 1971 e 1972, não passou de dez unidades
sem, contudo, existir confirmação oficial desse número.
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2010 -
José_Martins-Felipe_Nicoliello-Jan_Balder |
2010 -
Auto Show Collection - Sambodromo com
Crispim |
Foi iniciado pelo Puma
Classic, por volta de 2009, um projeto de recriação do Puma nº
48. Chamaram de recriação e não réplica, porque o automóvel
conta com muitas peças originais, que foram do Espartano #48,
cedidas ao Puma Clube, graciosamente por José Martins Junior, o piloto
que fez sua fama a bordo desse bólido. Rodas, tanque 60 litros
de combustível, bolhas dos faróis, lanternas, coroa e pinhão do
diferencial auto blocante, tinta com a cor verde e mais algumas
coisinhas eram daquele carro. Então, com essas peças, mais um
Puma 1971 e a ajuda do José Martins Junior começaram a recriação,
que depois de umas paralisações e contratempos ficou pronto por volta de 2017.
Quase dez anos, mas valeu a pena. Ficou ótimo!
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O #48
verde |
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2011 -
José Martins acompanhando a recriação |
A
recriação pronta |
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Ilustração feita por Mauricio Moraes |
A
recriação pronta, em novo angulo |