Um pouco das lendas e das histórias do automobilismo dos anos sessenta
 

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I Grande Prêmio Cidade de São Paulo
12 de julho de 1936
Circuito do Jardim América
(Parte 4)
 

Índice
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  1. Um pouco de história
  2. Surge a idéia da prova
  3. A pista
  4. A preparação
  5. Participantes
  6. Organização
  7. A prova
  8. O acidente
  9. Conseqüências
10. A classificação 
11. A premiação 
12. Conclusões 
13. Galeria de fotos                              NOVO!
14. Mapa do Circuito                            NOVO!
 
 
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10. A classificação
 
Do regulamento geral da prova:
“Art. 21º - Os concorrentes deverão guardar sempre a direita, dando passagem quando lhes for pedida, pelo lado esquerdo, observando a maior prudência nas curvas.
Paragrapho 1º - Todo conductor que pedir passagem deverá estar em condições de fazel-o, desde que a sua velocidade e o trecho da pista lhe permitam passar o adversário; toda manobra contrária a estas regras será  punida com a maior severidade.”
Paragrapho 2º - A Commissão Esportiva collocará, de 200 em 200 metros , um signaleiro, e de 500 em 500 metros , um commissario com o encargo
de fiscalizar o rigoroso cumprimento dos dispositivos dos paragraphos anteriores, cuja infracção importará na desclassificação do concorrente”.
(Diário Popular - 9/7/36)
Reclamações
Foi  feita, pelo mecânico de Hellé Nice, Sr. Arnoldo Binelli, uma reclamação quanto a uma possível atitude anti-esportiva da parte de Teffé, que teria obstruído a passagem pela esquerda da corredora francesa.
A comissão esportiva, sobre o assunto, ouviu todos os chefes de postos e ainda valeu-se de uma providencial fotografia conseguida pelo repórter fotográfico Manuel Ginjo, do jornal “Diário Popular”, Nessa fotografia vê-se nitidamente a roda traseira esquerda do carro de Teffé, o algarismo “0” do numero 10 pintado na pista. Esse número servira para marcar a colocação do carro 10 na hora da largada. A comissão foi à pista e mediu a distância que vai do zero até a guia do lado esquerdo, por onde tentava a ultrapassagem a piloto francesa, e foi constatado que havia 3,20m, espaço suficiente para a ultrapassagem.
Ficou portanto comprovado que Teffé não tinha nenhuma responsabilidade pelo acidente.
Foi feita ainda uma reclamação contra Marinoni ter sido empurrado, apresentada pelo volante Oliveira Junior, tendo a comissão decidido que: 
"... apesar da falta cometida, considerando que Marinoni veio como convidado especial e que abrilhantou sobremaneira a prova com sua perícia e com suas ultrapassagens para recuperar as posições perdidas, e considerando ainda que o Artigo 10 do “Código Esportivo Internacional” publicado pela “Association Internationale dês Automobile-Club Reconnus” prevê como penalidade  “até”  a desclassificação, resolveu impor uma multa de 10 contos de Réis, deduzida do prêmio a que fez jus, valor que foi destinado em prol das vitimas do acidente".

Resultado oficial
 Carlo Pintacuda (38)  2h26’min 21  Média horária: 104km544m  Volta mais rápida: 111km350m.
 Attilio Marinoni (40)  2h 30min32  Média horária: 101km628m  Volta mais rápida: 113km330m.
 Manuel de Teffé (8)  2h 31min59  Média horária: 100km692m  Volta mais rápida: 104km652m.
 Hellé Nice (34)  2h 32min2  Média horária: 100km620m  Volta mais rápida: 107km300m.
 Victorio Rosa (26)  55 voltas    
 Nascimento Junior (42)  54 voltas    
 Não constam da classificação oficial, mas estariam classificados assim:
 Virgilio Lopes Castilho (28)  53 voltas  A última volta não foi completada devido a invasão da pista
 Augusto Mac Carthy (2)  53 voltas   A última volta não foi completada devido a invasão da pista
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11.
Premiação
 
A cerimônia de premiação aconteceu na tarde do dia 14 de julho no Hotel Esplanada, e Marinoni, ao receber seu premio declarou que sentia satisfação em saber que o valor da multa que recebeu seria revertido em beneficio das vitimas do desastre.
1º lugar - Carlo Pintacuda
I Grande Prêmio Cidade de São Paulo - 50:000$000 (50 contos de réis)
Prêmio Chronistas Esportivos de São Paulo - 2:000$000
Taça Fabio Prado - Taça Automóvel Club do Brasil - Taça Cerveja Caracu - Medalha Fraternidade Ítalo-Brasileira - Medalha de Ouro oferecida pelo Sindicato dos Garagistas e Similares e Medalha de Ouro oferecida pela Cia. Antarctica Paulista
Cronômetro Universal “Geneve” oferecido pela Casa Hanau
Taça de Prata e uma cigarreira de ouro, prêmios da “Fanfulla”
2º lugar - Attilio Marinoni
I Grande Prêmio Cidade de São Paulo - 25:000$000 (menos 10:000$000 pela multa)
Recorde de volta - 5:000$000
Premio Sudam - Medalha Fraternidade Ítalo-Brasileira e Cronógrafo oferecido por “Fanfulla
3º lugar - Manoel de Teffé
I Grande Prêmio Cidade de São Paulo - 15:000$000
Premio Diário da Noite - 10:000$000
Premio Sudan (corredor nacional com melhor tempo da 1ª a 10ª volta 2:000$000 - da 11ª a 20ª volta 2:000$000 - da 21ª a 30ª volta 2:000$000 - da 31ª a 40ª volta 2:000$000 - da 41ª a 50ª volta 2:000$000)
Medalha de Ouro oferecida pela “Electrochimica Saturnia” - Medalha de Ouro oferecida pela Cia. Antarctica Paulista - Taça Automóvel Club de São Paulo - Relógio de Ouro oferecida por Gambarotta e Radio Console Cruzeiro
4º lugar - Hellé Nice
I Grande Prêmio Cidade de São Paulo - 5:000$000
5º lugar - Victorio Rosa
I Grande Prêmio Cidade de São Paulo - 5:000$000
6º lugar - Nascimento Junior
Premio Sudan 5:000$000 (corredor nacional melhor colocado que não ganhou nenhum premio no Circuito da Gávea)
"Um flagrante do acto da entrega dos premios, quando o prefeito Fabio Prado, tendo ao lado os volantes Pintacuda e Marinoni, falava sobre a solennidade. No "cliche" também apparece os srs. Amadeu Saraiva, Nelson Meirelles, Alexandre Grazini,, Sabbado D'Angelo, Adriano Crespi e o volante Manuel de Teffé"
Reprodução: Tribuna de Santos - 15/7/36
"Um outro aspecto da entrega dos premios, vendo-se o vencedor do Grande Premio "Cidade de São Paulo", Carlo Pintacuda, quando recebia o cheque de 50:000$000"
Reprodução: Tribuna de Santos - 15/7/36
 
 
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12. Conclusões
 
Dia 18, Helle Nice ainda se encontrava hospitalizada, como declarou o Prof. Luciano Gualberto:
“- O estado em que se encontra a corredora é de “confusão mental”. É muito commum nos grandes desastres, a pessoa se lembra de tudo, menos do acidente, somente depois, é que vae se lembrando da peripécias e reconstruindo o acontecimento. Posso lhe garantir que, dentro em muito pouco tempo, Helle Nice estará em plena e perfeita posse de todas as suas faculdades mentaes, inclusive no que diz respeito ao conhecimento do desastre.”
Ela ficou internada até o dia 26 de julho quando teve alta e saiu do hospital por volta das 21horas indo para o Hotel Esplanada, onde estava hospedada antes da prova, ainda não se recordava totalmente do acidente, tanto que planejava uma volta pelo circuito para tentar recuperar suas memórias do ocorrido.
"A corredora francesa Helle Nice, em seu quarto, no Sanatório Santa Catharina, tendo ao lado o seu mechanico Binelli"
Reprodução: Diário Popular - 16/7/36
"Helle Nice, a grande corredora francesa"
Reprodução: Tribuna de Santos - 27/7/36


Seu carro, o Alfa Romeo “Flecha Azul”, que havia custado 110 mil liras, não estava no seguro, pois a taxa era, na época, de 33%, considerado muito alto pela corredora.
Carlo Pintacuda e Attilio Marinoni, os dois volantes italianos, foram para Santos logo após a cerimônia de premiação e embarcaram no “Oceania”, com escala no Rio de Janeiro, o navio em que viajaram chegou às 7 horas, Pintacuda esteve na residência de Manoel de Teffé, onde almoçou com os seus companheiros de glória em São Paulo e na Gávea e com o embaixador Oscar de Teffé e em seguida embarcou de regresso à Itália no “Neptunia”, que deixou o porto às 17 horas.
Projeto de lei proibindo corridas de automóvel nas ruas foi entregue pelo deputado Machado Florence no dia 14/7/1936 à Assembléia Legislativa do Estado:
“A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo decreta:
Art. 1º - Ficam prohibidas para todo o Estado de São Paulo, corridas ou competições automobilísticas, salvo quando realizadas em autódromos ou em pistas especialmente construídas, ou ainda, adaptadas para esse fim.
Parágrapho único - Quando as pistas forem adaptadas, compete à Secretaria da Segurança Pública providenciar sobre a vistoria technica das mesmas, afim de proporcionar completas garantias de vida e integridade physica aos espectadores e afficionados.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.”
O acontecimento trágico da prova I Grande Premio Cidade de São Paulo despertou a atenção de Eusébio de Queiroz Mattozo, diretor jurídico do Banco do Commércio e Indústria de São Paulo, e também diretor do Automóvel Clube do Brasil, que percebendo a necessidade de se ter um autódromo no estado, solicitou a Sanson, seu amigo pessoal, que iniciasse urgentemente as obras do circuito, que provavelmente não sairiam do projeto.
Em 1926, a empresa imobiliária de construção civil Auto-Estradas S.A. (AESA), dirigida pelo engenheiro britânico Louis Romero Sanson, projetou o bairro Balneário Satélite da Capital, situado entre as represas Guarapiranga e Billings. O ambicioso projeto incluía a construção de grandes vias, de um estádio com pista atlética, quadras esportivas, lagos para iatismo e um autódromo, tudo para incentivar as vendas dos lotes.
A quebra da bolsa de Nova York em 1929 afetou o país e frustrou os planos de Sanson, também as revoluções nacionais de 1930 e 1932 contribuíram para a paralisação do projeto.
Mas, com o pedido de Euzébio e o decreto proibindo as corridas em ruas, a construção foi iniciada em 1938 e a pista ficou pronta no final do ano seguinte e mesmo sem ter todos os equipamentos do projeto original concluídos, por falta de recursos financeiros da AESA, o autódromo passou pela aprovação do Automóvel Clube do Brasil e a inauguração oficial da pista, prevista inicialmente para 19 de novembro, foi adiada para o ano seguinte em função das chuvas que assolaram a cidade, e finalmente aconteceu no dia 12 de maio de 1940.
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Acrescentada dia 6 de abril de 2009


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